Tempo fechado e frio em Durban esquenta conversa na COP17

Com o tempo fechado e frio em Durban, negociadores em intensa atividade, fazem encontros sucessivos entre diferentes grupos em busca de um acordo razoável.

Durban acordou hoje com o tempo muito fechado e a temperatura caiu a menos de 20 graus Celsius. No meio da tarde, a chuva completou a virada do tempo, em contraste radical com o clima das negociações na COP17, em temperatura elevada, mais pela intensidade das conversas e da movimentação quase febril entre as salas das diferentes delegações, do que pela exaltação dos ânimos. A tensão continua baixa na COP17, embora as negociações sejam difíceis, aceleradas e exaustivas. Mas há algo em comum entre o tempo de Durban e o clima da COP17, ambos permitem viram de uma hora para outra.

Todd Stern, negociador chefe dos Estados Unidos adotou uma atitude inesperada, surpreendendo negociadores e observadores, ao responder diretamente a críticas de que estaria bloqueando as negociações. Para justificar o espírito de cooperação da equipe de Washington, Stern mudou de posição, aceitando o roteiro proposto pela União Europeia para um acordo com força legal para todos.

Stern fez sua declaração oficial na plenária do segmento de alto nível da COP17, um curto discurso de três minutos. Ao subir ao pódio para falar, foi obrigado a ficar alguns minutos em silêncio, enquanto uma jovem o acusava de estar sabotando as decisões. Quando ela foi retirada, delegados e observadores no plenário aplaudiram longamente. Stern manteve a fleuma, embora claramente desconcertado. O presidente da mesa disse que as palmas eram para ele. Começou dizendo que era muito bom ser recebido tão calorosamente. Saiu quase diretamente para a coletiva de imprensa, onde apressou-se em dizer que ministros, delegados, imprensa e militantes diziam que o EUA bloqueava as decisões. Afirmou que era “um equívoco” dizer que o EUA está contra qualquer ação até 2020 e por isto estaria bloqueando as negociações. “Eu quero dizer publicamente que isso simplesmente não é verdade”, disse.

“Estamos conversando com todos, estive com a União Europeia, com nossos amigos do BASIC e estamos todos cooperando para encontrar um bom resultado para Durban”, disse. Continuou dizendo que o Fundo Verde para o Clima, sobre o qual vinha dizendo ter objeções ainda, “está praticamente fechado”. Adiantou que o EUA está empenhado em ajudar na mobilização dos recursos para o fundo de modo a que se alcance a meta prometida em Copenhague dos US$ 100 bilhões até 2020.

A maior surpresa foi Stern afirmar, sem rodeios, que seu país apóia a proposta europeia de um roteiro para se chegar a um novo acordo geral para o clima. “Teremos também o roteiro para um acordo pós-2020 que a União Europeia propôs e o EUA apóia”. Stern vinha dizendo que preferia falar em ‘processo’, do que em um roteiro mais específico e, até ontem, se mostrava muito reticente em relação à proposta europeia. Mas continuou a dizer que “se esse novo acordo será legalmente vinculante ou não, ainda não sabemos”.

Essa mudança de posição é um sinal forte de que os negociadores começam a afinar o discurso, em busca da convergência necessária para fechar o pacote de Durban.

Rumores nos corredores da COP17 diziam que o escritório da União Europeia esteve em reboliço todo o dia. O fato concreto é que Connie Hedegaard, Comissária Europeia para Mudança Climática, cancelou sua coletiva de imprensa, hoje, sem aviso prévio.

Na parte da tarde, foi a vez da ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, fazer sua declaração na plenária do segmento de alto nível. Ela historiou as ações do Brasil para mudança climática e terminou dizendo que o Brasil deseja que todos trabalhem para “negociar o mais cedo possível um novo instrumento legalmente vinculante sob a Convenção, baseado nas recomendações da ciência, que inclua todos os países para o período imediatamente pós 2020”. Como discurso de chefe da delegação, falando oficialmente em nome do Brasil, deve-se entender que ela expressou uma posição de governo, portanto, provavelmente com respaldo da própria presidente Dilma Rousseff.

É outro sinal de que os países estão entrando em sintonia fina para fechar o pacote de Durban. Nada está ainda acertado em definitivo. Essa sintonia fina nos discursos serve como troca de sinais entre negociadores e para manejar as expectativas na direção do resultado mais provável. Uma espécie de “preparação dos espíritos”. O espírito dominante, segundo contou a ministra brasileira, é de cooperação.

Nenhum país desenvolvido ou grande economia emergente quer ficar marcado como responsável por um fracasso em solo africano. Estão negociando no continente mais pobre e vulnerável à mudança climática. Agora mesmo, em vários pontos do território africano, em particular no Chifre da África, há grande número de pessoas em sofrimento por causa de eventos climáticos extremos. Persiste a ameaça de fome aguda no Chifre da África por causa da seca. Os países com mais recursos não se sentem confortáveis em frustrar as expectativas em Durban, até porque elas não são muito altas.

Para a África o ponto mais importante em negociação, como vários delegados do continente têm dito, é o funcionamento mais rápido possível do Fundo Verde para o Clima e do Comitê Executivo para Adaptação à Mudança Climática. Hoje, o representante da União Africana voltou a afirmar que, na África, a prioridade absoluta é a adaptação. A África já está sofrendo com a mudança climática, disse.

continue lendo em: Instituto Carborno Brasil

Esta entrada foi publicada em Notícias e marcada com a tag , , , , , . Adicione o link permanenteaos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>