Sob pressão, países iniciam novas negociações para acordo do clima

Sob pressão da ONU, países desenvolvidos e em desenvolvimento voltam a se reunir a partir desta segunda-feira (6) em Bonn, na Alemanha, para debater a criação de um novo acordo para o clima, que substituirá o Protocolo de Kyoto a partir de 2012 e que tentará reduzir as emissões de carbono para frear o aquecimento global.

Esta é uma das últimas reuniões entre negociadores internacionais antes da COP-17 (Conferência das Partes), que vai acontecer em Durban, na África do Sul, entre novembro e dezembro deste ano.

O clima tenso se deve à divulgação de recente estudo da Agência Internacional de Energia sobre o recorde de gases de efeito estufa liberados em 2010. O fato colocou em dúvida o cumprimento da meta de limitar o aumento médio da temperatura do planeta em menos de 2ºC até 2100.

Apesar da cobrança no avanço nas negociações entre os países para a criação de um novo acordo, especialistas e representantes do governo ouvidos pelo Globo Natureza afirmam que é praticamente impossível se chegar a novas regras para reduzir as emissões em 2011. Para eles, o ‘gap’ (lacuna) entre o fim do Protocolo de Kyoto e um novo acordo para bloquear o avanço da temperatura será inevitável.

Lentidão
De acordo com o secretário nacional de Mudanças Climáticas, Eduardo Assad, a lentidão desse tipo de negociação é reflexo da falta de metas das nações desenvolvidas para reduzir as emissões de CO2.

“Deve ser levado em conta que os eventos extremos do clima começam se projetar em grandes dimensões e com mais frequência. Um exemplo é o excesso de chuvas em países tropicais, como tem acontecido no Brasil. Isto já estava previsto no relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) de 2007. Nós queremos uma posição clara sobre quais medidas tomarão nações poluidoras como os Estados Unidos e China”, afirmou Assad.

As duas potências não estão inseridas no Protocolo de Kyoto, que determina a redução das emissões dos países participantes entre 25% e 40% até 2020, comparado aos níveis de 1990. A China não faz parte porque ainda é considerada um país emergente. Já os Estados Unidos não se comprometeram ao acordo vinculante por medo de reflexos em sua economia. Apesar disso, os dois países tentam ações próprias de mitigação.

Ainda segundo Assad, o Brasil tem tomado providências para finalizar os planos setoriais de corte de emissões, inseridos na lei de mudanças climáticas. Neles, constam como o Brasil vai reduzir as emissões de gases entre 36,1% a 38,9% até 2020 com ações de redução no desmate da Amazônia e do Cerrado, implementações de regras na agropecuária, no setor de energia e na indústria.

Mandato
Segundo Luiz Gylvan Meira Filho, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo e que foi vice-presidente do IPCC durante a elaboração do Protocolo de Kyoto, a partir da reunião de Bonn, teria que começar um diálogo que se concretizasse na COP 17 sobre a emissão de um ‘mandato de transição’, ordem que dá início oficialmente para elaborar um novo acordo climático.

“Somente a partir deste ponto é que se conseguirá um protocolo que vai substituir Kyoto. Pelo que percebo das reuniões que antecederam esta da Alemanha, isto não deve acontecer. Fica claro que nada vai sair até 2012 e que um novo acordo não vai existir”, afirmou.

De acordo com Gylvan, o que poderá se discutir é a manutenção provisória de Kyoto, o que pode colocar em xeque a metodologia de negociação da ONU, já questionada nas cúpulas anteriores devido à falta de resultados. “É preciso fazer alguma coisa agora, para que as emissões diminuam em até 40 anos e a temperatura não aumente até 2100. As decisões de hoje refletem no futuro”, afirmou.

Cancún
Durante a COP 16, realizada em 2010, no México, países membros de Kyoto, como Japão, Rússia e Canadá, rejeitaram a continuidade do protocolo, exigindo que mais países aderissem às regras. No ‘Acordo de Cancún’, ficou estabelecido que esses países continuariam a discutir o tema em 2011.

Além disso, o documento previa a criação de um Fundo Verde (pacote de financiamento de US$ 100 bilhões anuais até 2020 para nações pobres) e mecanismos de Redd (redução de emissões por desmatamento e devastação florestal) pelos quais países desenvolvidos financiarão os em desenvolvimento para conservarem suas florestas, o que pode beneficiar o Brasil.

Fonte: PE 360°

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