Seca recorde na Amazônia deixa milhares em emergência

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A seca severa que atinge a Amazônia provocou baixas recordes no nível de rios da região, deixando comunidades isoladas dependentes de ajuda emergencial e milhares de barcos encalhados em leitos totalmente secos.

O nível do Rio Negro, afluente do rio Amazonas e ele próprio o maior do mundo entre os rios de água escura, caiu para 13,63 metros no domingo, seu nível mais baixo desde o início dos registros, em 1902, de acordo com o Serviço Geológico do Brasil.

No ano passado, o rio registrou seu recorde de alta, com 29,77 metros.

A escassez de água torna praticamente impossível a navegação, que é crucial em toda a região amazônica, em diversos pontos da região.

“As pessoas estão sem comida porque os peixes estão morrendo sem água. Quase todos os barcos estão parados — só os menores conseguem navegar”, disse Rosival Dias, coordenador da fundação ambiental Amazônia Sustentável.

De acordo com o governo do Amazonas, a situação de emergência afeta 62 mil pessoas em 33 municípios, e 600 toneladas de ajuda alimentar estão sendo distribuídas por avião e barco. O governo federal anunciou na semana passada a liberação de 23 milhões de reais em ajuda emergencial.

Produtores de soja que dependem do rio Madeira, no estado do Amazonas, para a passagem das balsas de grãos, estão sendo forçados a desviar os carregamentos, com elevado custo, para os portos no Sudeste, distantes cerca de 2 mil quilômetros.

PREOCUPAÇÃO “BEM GRANDE”

As autoridades expressaram preocupação de que a seca possa afetar até o comparecimento às urnas no segundo turno da eleição presidencial, no domingo, e estão na dependência de embarcações extras capazes de navegar em águas rasas para levar eleitores às seções eleitorais.

Em algumas áreas atingidas pela seca, somente cerca de 50 por cento da pessoas votaram no primeiro turno, em 3 de outubro.

“Com a seca, o eleitor tem muita dificuldade. Precisa se dirigir a uma cidade e o trajeto normalmente leva duas horas de lancha. Agora, ele tem que caminhar. A situação desestimula o comparecimento e a tendência é que se agrave”, disse o diretor do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), Pedro Batista, ao jornal Correio Brazilense.

Alguns cientistas dizem que a seca deste ano pode ter sido exacerbada pelo fenômeno El Niño em 2009/2010 e por uma temporada de furacões ativa no Atlântico, que pode ter sugado umidade do sul.

Mas Daniel Nepstad, um ecologista dos Estados Unidos que trabalhando no Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia, disse que a ligação entre esse fenômeno e a seca no Amazonas parece menos clara do que em 2005, quando aconteceu a última seca devastadora na região.

“Acho que é motivo para alguma preocupação bem grande sobre o ecossistema da Amazônia”, disse ele. “Estamos vendo uma quebra da confiabilidade das estações na Amazônia.”

Ao derrubar árvores e tornar a floresta mais propensa a incêndios, as secas severas são parte do ciclo danoso que alguns cientistas acreditam possa levar a Amazônia mais para perto de um “ponto sem retorno”, no qual a destruição se sustenta por si mesma.

A devastação da floresta alimenta o aquecimento global porque as árvores liberam seu carbono quando morrem. A seca de 2005 liberou mais gás do efeito estufa do que as emissões anuais da Europa e do Japão, segundo revelou um estudo internacional no ano passado.

Fonte: Globo – G1

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