Reduzir, reutilizar e reciclar é ideal

“O problema do lixo precisa ser resolvido como um todo”, avalia Gino Paulucci, empresário do setor plástico, em contrapartida a campanhas que visam incentivar o uso de sacolas retornáveis em supermercados. “Contudo, a sacolinha de supermercado é apenas um dos itens plásticos que prejudicam o meio ambiente. O plástico está no pacote do arroz, do feijão, protege o queijo, o presunto… Muitos poderão achar que, porque não usam a sacolinha, estão resolvendo um problema ambiental, mas não é bem assim. Diversos itens dentro de um supermercado usam demasiadamente o plástico”, frisa.

“Não estou querendo dizer que se deve usar sacola plástica eternamente, mas vamos todos juntos buscar uma alternativa mais viável que, por enquanto, não existe. E por não existir, não dá parar cortar a utilização de sacolinhas plásticas, que são práticas e beneficiam o consumidor. Além disso, a decisão entre Apas e governo estadual, que prevê dificultar o acesso aos saquinhos plásticos dentro dos supermercados, prejudica todo um setor gerador de empregos”, acrescenta o empresário.

O ideal, segundo o diretor da empresa do ramo plástico, seria optar pelos “três erres” – reduzir, reutilizar e reciclar. Ele indica que as redes de supermercados têm optado, em sua maioria, por comprar sacolinhas muito frágeis, que estouram facilmente e assim acabam virando um empecilho para a redução e reutilização das mesmas.

“Sacolas com espessura mais resistente são mais duráveis e ajudam os estabelecimentos a economizar. Entretanto, os supermercados estão comprando das fábricas de sacolinhas com espessuras muito fracas, que rasgam facilmente. Os supermercadistas desejam comprar essas sacolas para gastar menos, porém, o consumidor acaba tendo que utilizar mais sacolinhas do que o necessário”, critica.

“Por sua vez, as fábricas produzem esses sacos mais frágeis a pedido de quem compra, mas eles estão fora de normas técnicas”, revela Gino. “O adequado seria encomendar sacolas com as normas técnicas recomendadas, que são mais resistentes, com maior espessura e, por isso, podem ser melhor reutilizadas no âmbito doméstico”, ressalta.

Com o objetivo de disseminar a cultura do consumo responsável e criar parâmetros para a produção de sacolas plásticas condizentes com as normas vigentes, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Associação Paulista de Supermercados (Apas), Associação Brasileira de Embalagens Flexíveis (Abief), Associação Brasileira da Industria Plástica (Abiplast), Instituto Nacional do Plástico (INP), juntamente com a Plastivida, promovem o Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas que tem como base os 3Rs: redução, reutilização e reciclagem.

O primeiro passo foi estabelecer uma espessura mínima de 27 micra (ou 0,027 milímetros) para sacolas comumente distribuídas nos supermercados do País. Com a adoção desta espessura, o programa tem como meta reduzir em 30% o consumo destas embalagens no ponto-de-venda, uma vez que não será necessário utilizar duas ou mais sacolas para suportar o peso da compra. Estas sacolas mais resistentes são em conformidade com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) 14.937.

O segundo ponto do programa – a reutilização – de fato já vem sendo bastante praticado pelo consumidor final. Uma pesquisa encomendada pelo programa ao Ibope detectou que 100% dos entrevistados das classes B, C e D reutilizam a sacola plástica de supermercado como saco de lixo.

Reciclagem energética

Em relação à reciclagem, o Brasil é um dos países com bons índices. Hoje a reciclagem mecânica, que permite a criação de novos produtos, é responsável pelo emprego de milhares de trabalhadores, mas há muito mais a ser feito. A capacidade produtiva da indústria brasileira de reciclagem do plástico é subaproveitada e o setor convive com ociosidade de 40%.

Como solução, é necessária a implantação de programas de coleta seletiva por parte do poder público em todo o País.

Outra alternativa bastante viável e que vem sendo aplicada em países como Japão com bastante sucesso é a reciclagem energética, ou seja, aquela que resulta na recuperação da energia contida nos plásticos por meio de processos térmicos. Ela distingue-se da incineração por utilizar os resíduos plásticos como combustível na geração de energia.

Educar a população a destinar corretamente seu lixo é a melhor solução.

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Que tipo de sacola deve ser utilizado?

De plástico, papel ou tecido? A opção por esses tipos de sacolas tem gerado dúvidas. Apesar das controvérsias geradas pelo uso de cada uma delas, é o consumidor quem deve comparar e ter o direito de escolher a que mais atende suas necessidades e princípios.

Mas as “ecobags”, de tecido ou papel, realmente representam alternativas sustentáveis? Ou a solução para o meio ambiente não seria, talvez, nem a troca das sacolas plásticas, mas um descarte mais eficiente destas embalagens?

A sacolinha plástica tem sido condenada pois são derivadas do petróleo, substância não-renovável. Estima-se que elas levam mais de 100 anos para se decompor na natureza. Para substituí-la, a opção seria passar a utilizar sacolas de papel ou de tecido, mas isso pode não resolver o problema. Conforme apontam pesquisas, a produção do papel emite 70% mais poluentes atmosféricos do que a de plástico.

Já o problema da sacola de pano envolve questões de saúde, pois elas podem se tornar focos de contaminação por bactérias, de acordo com pesquisa recente feita nos EUA. No estudo, cientistas analisaram 84 sacolas de consumidores em Tucson, Los Angeles e San Francisco. O coautor de estudo foi Charles Gerba, professor da Universidade do Arizona.

De acordo com o levantamento, 97% das pessoas nunca haviam lavado as sacolas. E, mesmo com uma limpeza bem feita, nem todas as bactérias são totalmente eliminadas, segundo Gerba. O tempo de degeneração do tecido no meio ambiente pode ser mais rápido, mas também pode demorar, conforme a composição do tecido da sacola e condições de umidade e solo.

Divulgado neste ano pela Folha de S. Paulo, outro estudo, em favor das sacolas plásticas, foi realizado pelo governo britânico. A pesquisa tinha como propósito descobrir qual dos tipos de sacos tem o menor impacto ambiental na poluição causada pela extração das matérias-primas, produção, transporte e eliminação. O relatório da Agência do Meio Ambiente britânica descobriu que a substância de polietileno de alta densidade, utilizada nas sacolas plásticas, causa menos impacto ambiental do que as matérias-primas das ecobags.

Já o secretário do meio ambiente, Valcirlei Gonçalves da Silva, aponta que a sacola de plástico é realmente prejudicial à natureza por sua longa demora de decomposição. O agravante é a forma com que a sacolinha tem sido descartada no ambiente pela população. “As pessoas as jogam nos rios, por exemplo. Assim, essas embalagens acabam servindo de alimento para peixes, que morrem ao ingerir o plástico”, indica. “Eu não sou contra o uso de sacolas plásticas, mas as pessoas têm que descartar de maneira mais correta se forem utilizá-las”, comentou.

As sacolas de tecido e os carrinhos de supermercado, na visão de Valcirlei, acabam sendo mais apropriadas para a utilização nos supermercados. “Todos os sacos causam impacto no ambiente e a melhor opção seria utilizar um saco de algodão centenas de vezes, ou o carrinho de supermercado”, apontou.

A degeneração no meio ambiente da sacola de tecido, conforme argumenta, é a mais garantida. “Se não for composta por fibras naturais, demora mais para o ambiente absorver. Mesmo assim, a sacola de pano é a que tem a decomposição mais garantida do que outras”, defendeu.

Fonte: JcNet

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