Países do Pacífico visitados pelo Secretário-geral da ONU

O coreano Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, embarcou no final da última semana em uma viagem para visitar quatro países do Oceano Pacífico, visando principalmente discutir a questão das mudanças climáticas e suas consequências na região.

Segundo o secretário-geral, a visita às quatro nações – Ilhas Salomão, Kiribati, Nova Zelândia e Austrália – “tem três objetivos principais. Continuar soando o alarme das mudanças climáticas; saber em primeira mão das preocupações, oportunidades e esperanças do Pacífico; e participar do Fórum das Ilhas do Pacífico”.

Até agora, Ban Ki-moon já passou pelas Ilhas Salomão e Kiribati. Os países que ele está visitando, em especial as pequenas ilhas, estão recebendo uma atenção especial do coreano, pois já enfrentam grandes problemas devido aos efeitos das mudanças climáticas no local.

A situação é de tal gravidade, que recentemente a ONU debateu se as mudanças climáticas não seriam questão de segurança na região. Os efeitos das alterações do clima no Pacífico já vêm sendo discutidos há algum tempo e a Comissão Europeia já prometeu aplicar cerca de €90 milhões na região para ajudar a conter os desastres causados, mas até agora poucas ações foram efetivamente tomadas pela ONU para combater o problema no local.

Nas Ilhas Salomão e no Kiribati, o secretário-geral falou às comunidades locais, ao primeiro-ministro samoano Danny Philip e ao presidente kiribatiano Anote Tong sobre as alterações climáticas e como minimizar os riscos de desastres, dizendo que viu em primeira mão que uma ação urgente é necessária para barrar os impactos das mudanças climáticas na região.

“Ondas oceânicas podem ser mais perigosas que um exército. Elas podem destruir ilhas inteiras. Os oceanos já estão destruindo colheitas em atóis de baixa altitude. Isso coloca a segurança alimentar em risco. Falta de segurança alimentar significa uma estabilidade social fraca”, alertou Ban Ki-moon.

“Levarei suas preocupações ao mundo, à Assembleia Geral das Nações Unidas (deste mês) e às negociações de mudanças climáticas em Durban no fim deste ano. Continuarei pressionando por progresso até que tenhamos resultados reais”, acrescentou ele.

O presidente kiribatiano elogiou o compromisso político do coreano, mas se manteve pessimista a respeito de ações que possam ser tomadas em relação às alterações do clima, principalmente depois que as últimas conferências da ONU não chegaram a um acordo quanto à questão. “É lastimável, mas talvez mais correto, dizer que qualquer progresso mais significativo nas negociações de mudanças climáticas é improvável em um futuro próximo”, lamentou Tong.

Fórum das Ilhas do Pacífico

Atualmente, Ban Ki-moon se encontra em Auckland, na Nova Zelândia, onde ocorre entre os dias 5 e 9 de setembro o Fórum das Ilhas do Pacífico, reunião anual de 15 países da região liderados pela Austrália e pela Nova Zelândia, que terá como um dos principais temas as mudanças climáticas.

“O que terá um grande destaque será a adaptação às mudanças climáticas, que é o foco mais importante para todos os líderes das Ilhas do Pacífico, e todos eles vão ser afetados”, enfatizou Tuilaepa Sailele Malielegaoi, primeiro-ministro da Samoa.

Entre os convidados para o encontro, estão o presidente da Comissão Europeia José Manuel Barroso, o ministro das relações exteriores francês Alain Juppe, o secretário de estado adjunto dos EUA Thomas Nides e o primeiro-ministro neozelandês John Key.

“[A reunião] focará em como os líderes governamentais, empresários e as partes interessadas no Pacífico podem trabalhar juntos para promover o desenvolvimento econômico sustentável, e fortalecer os pontos altos da região, particularmente na pesca, no turismo e na energia”, declarou Key.

O evento será realizado às vésperas da abertura da Copa do Mundo de Rugby, que também acontece na Nova Zelândia, com o intuito de atrair mais convidados internacionais para a conferência do Pacífico.

“Foi uma estratégia consciente fazer disso um ímã para grandes organizações multilaterais, cuja presença apenas aumentaria a permanência do fórum, mas também forneceria um apoio prático para as iniciativas”, explicou Murray McCully, ministro das relações exteriores neozelandês.

“Quando propusemos [isso] para a Copa do Mundo de Rugby, dissemos que tentaríamos dar um sabor de Pacífico para a Nova Zelândia, que recebe o evento. Nos demos a um grande trabalho para conseguir isso”, adicionou McCully.

Após o fórum, o secretário-geral da ONU encontrará a primeira-ministra Julia Gillard na Austrália, onde eles discutirão, entre outros aspectos das mudanças climáticas, a questão dos refugiados climáticos no Pacífico.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

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