No Panamá índios contestam projeto hidroelétrico

A hidroelétrica de Barro Blanco, aprovada no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo das Nações Unidas, é um dos focos da disputa entre autoridades e o povo Ngöbe-Buglé pelo direito de exploração dos territórios indígenas

Ao menos duas pessoas já morreram e mais de uma centena foram feridas ou presas durante as manifestações do povo Ngöbe-Buglé, o maior grupo indígena do Panamá, contra projetos hidroelétricos e de mineração em suas terras.

Um desses projetos é a hidroelétrica de Barro Blanco, que foi aprovada em junho de 2011 no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo das Nações Unidas (MDL), e que foi financiada pelos bancos europeus DEG e FMO. Com a promessa de gerar 28,84MW, a barragem do projeto deve alagar mais de seis comunidades indígenas e afetar cerca de cinco mil Ngöbe-Buglé. A empresa desenvolvedora do projeto, Gensia, afirma que a área alagada será bem menor do que essa apresentada pelos índios.

A situação se complicou ainda mais nos últimos dias porque a líder indígena que representava os Ngöbe-Buglé nas negociações com o governo, Silvia Carrera, assinou um acordo na sexta-feira (16) no qual assume o compromisso de negociar a construção de Barro Blanco depois que for apresentado um novo estudo de impacto ambiental.

“Existe uma forte oposição do nosso povo aos projetos e acreditamos que a cacique Silvia Carrera se afastou do nosso objetivo, que é proibir qualquer exploração das nossas terras”, afirmou Cielo Guerra, líder do Congresso Tradicional Indígena.

Pelo menos uma parte dos Ngöbe-Buglé quer uma lei banindo iniciativas hidroelétricas e de mineração no seu território, que é legalmente reconhecido pelo governo do Panamá. Além disso, defendem o cancelamento imediato de todas as concessões já dadas, incluindo a do projeto de Barro Blanco.

Por sua vez, Silvia Carrera afirmou que é o governo que está criando uma divisão entre os índios. “Eu conversei com mais de 18 comunidades e não existe esse racha. A briga entre os índios só interessa ao governo.”

Silvia está ajudando no novo estudo de impacto ambiental de Barro Blanco e tenta acalmar os ânimos dos indígenas enquanto o material não fica pronto.

Depois do acordo da semana passada, o presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, afirmou que não vai mais tolerar manifestações que fechem rodovias e que causem prejuízos econômicos.

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