Na Caatinga energia insustentável é principal vetor de desertificação

Bioma mais populoso do mundo, onde moram aproximadamente 28 milhões de pessoas, a Caatinga sofre atualmente com uma tendência de descentralização do processo de conservação. A opinião é de Francisco Barreto Campelo, diretor do departamento de desertificação do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Segundo dados da pasta ambiental do governo, cerca de 30% da matriz energética dessa região vem da lenha obtida por meio de exploração não sustentável.

A Caatinga exerce importante função econômica nos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, da Paraíba, Bahia, de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Minas Gerais. O bioma também é usado para pastagem de gado, produção de mel, comercialização de frutos e como suprimento de energia na produção de cerâmicas e da indústrias de gesso.

“O principal vetor para desertificação é o uso do recurso natural como fonte energética sem critérios sustentáveis. Especialmente com a seca, o homem vai acabar com a única opção produtiva desta época, que é a madeira, principalmente se temos uma matriz que consome essa lenha”, destacou Campelo à Agência Brasil, ao defender um convívio econômico com maior eficiência.

Para Campelo, enquanto as Unidades de Conservação (UCs) de proteção integral são necessárias para armazenar material genético e servir como ambiente de pesquisa, as UCs de uso sustentável podem interagir diretamente no cotidiano da atividade econômica, considerando, principalmente, a realidade da região que tem a lenha como principal matriz energética. “Muita gente acha que pode mudar a matriz energética do Nordeste. Apoio o desenvolvimento de novas fontes de energia, mas estamos qualificando a fonte que ainda hoje é a mais usada”, observou.

“Temos que fomentar boas práticas de uso dos recursos, integrando isso nas atividades econômicas dos agricultores e, ao mesmo tempo, viabilizando a manutenção dos serviços ambientais e conservação ambiental”, defendeu Campelo, que também é engenheiro florestal.

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