Mas rodada decepciona negociadores em Bonn conseguem chegar a uma agenda

Os resultados alcançados na última grande rodada de negociações antes da Conferência do Clima (COP18), em Doha, no Qatar, deixam claro que será muito difícil ver progressos significativos ainda neste ano nas ações para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Os representantes dos mais de 180 países reunidos em Bonn, na Alemanha, para duas semanas de conversas conseguiram apenas firmar uma agenda parcial e obter alguns avanços na transição para a próxima fase do Protocolo de Quioto, o que foi comemorado pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC) como um sucesso.

“Não estava fácil chegar a um consenso. Todas as partes queriam comprometimentos de um lado e de outro para seguir trabalhando. Por isso, foi um bom resultado o que alcançamos, foi uma rodada produtiva”, afirmou Christiana Figueres, secretária executiva da UNFCCC.

Porém, as declarações de participantes não são tão positivas e palavras como “decepcionante” e “lentidão” marcam os discursos.

“O mundo não pode pagar o preço do atraso causado pelos poucos que querem rediscutir o que ficou acertado em Durban (COP17) há apenas cinco meses. É muito preocupante ver como foram lentas e exaustivas as negociações em Bonn”, afirmou Connie Hedegaard, comissária climática da União Europeia.

“Estamos basicamente andando em círculos. Estamos sempre atrasando as decisões. Todo ano que não fazemos nada, o custo de vidas e os prejuízos para o meio ambiente estão aumentando. É bastante decepcionante”, declarou Colin Beck, negociador chefe das Ilhas Salomão.

“Nenhum progresso foi feito na questão do apoio financeiro para os mais pobres e vulneráveis às mudanças climáticas. Agora é vital que no Qatar os países se comprometam a liberar entre US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões para o Fundo Climático Verde até 2015”, disse Celine Chaveriat, diretora de campanhas da Oxfam.

Uma das principais tarefas em Bonn era traçar a estrutura dos trabalhos para o tratado climático que deve estar pronto até 2015 para entrar em vigor em 2020. Esperava-se que uma agenda fosse estabelecida para os próximos três anos, mas os países conseguiram apenas chegar a um consenso para parte dela.

“Quando as pessoas começam a brigar sobre agendas é porque existe uma falta de confiança entre os negociadoresque aponta que em muitas áreas importantes ainda não há acordo”, acrescentou Chaveriat.

As negociações climáticas seguem três caminhos ou trilhos: o primeiro define as metas para as nações sob o Protocolo de Quioto; o segundo objetiva definir o que as nações fora de Quioto devem cumprir; e o terceiro diz respeito à Plataforma de Durban, que será a base do novo acordo climático.

Os maiores avanços em Bonn foram no trilho do Protocolo de Quioto, no qual os delegados conseguiram firmar os detalhes técnicos de como acontecerá a transição entre a atual fase e a próxima. Mas acabou ficando para Doha as decisões mais importantes, como as metas de redução de emissões e a duração do segundo período de compromissos, cinco ou oito anos.

Porém, mesmo essas negociações foram difíceis, uma vez que a União Europeia faz questão de que os avanços de Quioto sejam acompanhados por melhorias nas conversas sobre o futuro acordo climático. Assim, se um lado empaca, o outro trava também.

Acontece que toda a conversa sobre o novo tratado foi bastante difícil, em parte pela recusa do BASIC, grupo que reúne Brasil, África do Sul, Índia e China, em discutir esse tema sem antes conseguir compromissos climáticos de nações que estão fora do Protocolo de Quioto, como os Estados Unidos.

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