Lula discute proposta climática comum com países da Amazônia

Representantes de países que integram a região amazônica, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estarão juntos em Manaus, nesta quinta-feira, para discutir uma proposta comum sobre mudanças climáticas que será apresentada em dezembro, na conferência das Nações Unidas, em Copenhague.

O objetivo é unificar o discurso e, assim, chegar à reunião de dezembro com maior influência. Os países da região – que inclui Brasil, Colômbia, Venezuela, Peru, Equador, Bolívia, Suriname, Guiana e o território ultramarino francês Guiana Francesa – contam com o fato de a Amazônia representar 30% das florestas tropicais do planeta.

O grupo inclui um integrante de maior peso político: o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que também estará em Manaus, representando a Guiana Francesa.

Brasil e França já têm um compromisso firmado de defenderem uma mesma proposta. Um dos pontos do documento bilateral, assinado há cerca de 10 dias, em Paris, prevê que os dois países defendam uma redução de 50% das emissões globais de gases de efeito estufa, em relação a 1990.

Segundo um representante do governo brasileiro, a proposta Brasil-França será sugerida como um “ponto de partida” para uma proposta de todos os países da região amazônica.

De acordo com essa mesma fonte, a cúpula de Manaus não pretende chegar ao detalhe de “compromissos específicos”, ou seja, o que cada um dos nove países pretende apresentar como sua política nacional de redução de gases.

“É claro que o assunto pode ser conversado, mas não é objetivo dessa cúpula fazer exigências. A grande negociação será mesmo em Copenhague”, disse a fonte à BBC Brasil.

A ideia é de que os países da Amazônia cheguem a um acordo sobre os “grandes temas” e que pelo menos aproximem suas propostas. Segundo o Itamaraty, ainda não está definido se a cúpula de Manaus irá resultar em algum documento.

‘Constrangimento’

Além de Lula e Sarkozy, estarão presentes o presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo. Os outros países deverão enviar chanceleres ou ministros.

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, apesar de ter sido o idealizador do encontro, não estará presente. Na noite de terça-feira, o colombiano enviou uma carta ao presidente Lula em que lamentava não poder participar da reunião devido a um “problema de saúde”.

Segundo um representante da diplomacia brasileira, a ausência de Uribe era “esperada”, como forma de evitar um possível constrangimento diante das cobranças sobre as bases militares dos Estados Unidos na Colômbia.

O embaixador da Venezuela no Brasil, Julio Garcia Montoya, confirmou que o presidente Hugo Chávez também não participará da reunião em Manaus.

Segundo o diplomata, Chávez teve que desistir da viagem devido a um atraso na agenda da visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, à Venezuela e porque receberia em Caracas nesta quinta-feira o líder palestino Mahmoud Abbas.

“O plano do presidente era estar aqui ao meio-dia e voltar no fim da tarde para Caracas para receber Abbas, mas os compromissos atrasaram e lamentavelmente Chávez não poderá vir”, disse Montoya.

A Venezuela será representada pelo chanceler Nicolás Maduro. O embaixador Montoya disse que ausência do presidente não impossibilita que a Venezuela feche em Manaus uma posição comum dos países amazônicos para a conferência de Copenhague.

“Na falta do presidente, nosso chanceler tem toda a autoridade para representá-lo”, afirmou o embaixador.

Discurso

O professor de Relações Internacionais e especialista em Mudanças Climáticas da Universidade de Brasília, Eduardo Viola, diz que a cúpula desta quinta-feira é “bem-vinda”, mas que coordenar o discurso não é o suficiente.

“O importante mesmo seria coordenarmos não apenas o discurso, mas as políticas políticas para a região”, diz.

Ele lembra que o primeiro compromisso formal foi assinado em 1978, por meio do Tratado de Cooperação Amazônica – que em 1995 ganhou status de organização internacional, a OTCA, mas que “pouco ou quase nada” se faz de forma coordenada.

O professor da UNB diz ainda que uma proposta comum é “sem dúvida um fato positivo”, mas que terá pouco peso nas negociações em Copenhague.

“Estamos em uma fase das negociaçções cujo resultado depende basicamente das propostas que serão apresentadas por Estados Unidos e China”, diz.

Fonte: BBC Brasil

Esta entrada foi publicada em Notícias e marcada com a tag , , , , . Adicione o link permanenteaos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*