EPE revela que aproveitamento energético no Brasil não passa de 34%

VIII Conferência de Centrais Hidrelétricas discute como mitigar os problemas energéticos do País

Reunindo os principais agentes do setor, o primeiro dia da VIII Conferência de Centrais Hidrelétricas, realizada em São Paulo, de 21 a 22 de agosto, ressaltou a perda de competitividade dessa fonte de energia em comparação ás demais. Outro aspecto discutido tratou da importância dos reservatórios de água inclusive para viabilizar outras energias renováveis bem como para o País não ficar refém das poluentes térmicas. Na ocasião os especialistas comentaram a necessidade da opinião pública conhecer melhor as vantagens técnicas e científicas da hidroeletricidade para que questões puramente ideológicas não comprometam o abastecimento e o meio ambiente.

Confira os destaques do primeiro dia do evento:

Luiz Fernando Vianna, presidente do Conselho de Administração da Apine, lamentou a medida dos ministérios públicos Federal e de Mato Grosso de paralisar 126 usinas do Pantanal. “O Brasil precisa de pelo menos 3 mil MW /ano para atender a demanda e a hidroeletricidade, uma matriz limpa e fonte que sustenta as demais, como bromasse e eólica, que estão ancoradas na usina hidro. Quando se começa cercear a construção de usinas não estamos em um bom caminho, aspectos ideológicos não podem nortear a ação do ministério público”, comentou.

Flávio Neiva, presidente da Abrage, ressaltou a maior flexibilidade operacional das hidrelétricas da fonte e reforçou sua capacidade de integrar energias. Comentou que em 2010 as hidrelétricas representavam 78% da matriz energética, porém graças aos reservatórios, com o excedente, gerou 89% de energia. Enquanto que as térmicas, que representavam 13%, geraram apenas 6%.

Charles Lenzi, presidente da Abragel, também ressaltou o papel fundamental do reservatório para preservação da matriz limpa dando destaque para as pequenas centrais hidrelétricas. “Só em projetos em fase bem adiantada temos hoje cerca de 6 mil MW. Se desenvolverem novos projetos teremos aproximadamente 18 mil MW. Isso para termos uma idéia do potencial das pequenas centrais hidrelétricas” , enumera.

Odemir José dos Reis, Superintendente de Gestão de estudos Hidroenergéticos da Aneel, contou que em 2010 a agência avaliou e aprovou 18 estudos de inventário, o número subiu para 54 em 2011 e até julho de 2012 são 41, devendo chegar em 100 até o final do ano. Em se tratando apenas de PCH, em 2010 foram 22, 44 em 2011 e 33 até agora, com expectativa de atingir 90 até dezembro. Comentou que uma PCH, desde o inventário até a entrada em operação, leva cerca de sete anos, enquanto que a hidrelétrica beira 10 anos. “Os principais entraves para esse longo prazo são ambientais e de viabilidade econômica”, salientou.

José Carlos de Miranda Farias, diretor da EPE – Empresa de Pesquisa Energética, trouxe dados alarmantes sobre o baixo aproveitamento energético no Brasil. Enquanto a França tem um potencial tecnicamente aproveitado de 100% de energia, Alemanha 83% e o Japão 64% o Brasil amarga apenas 34%” , comentou. Reforçou ainda a necessidade de expandir em 6 mil MW ao ano para fontes de energia com capacidade de 50% para atender as taxas de crescimento e de consumo da ordem de 4,3%

Lembrou que o leilão, A-3, de outubro, voltado para empreendimentos a serem entregues em um prazo de 3 anos (até abril de 2015), será destinado para usinas eólicas, biomassa, solar e térmica de pequeno porte.

Os leilões A-5 deste ano têm como indicativo expandir com usinas hidrelétricas 16 mil MW, mas lembrou que isso é apenas uma estimativa do plano. Aproveitou para salientar a vantagem econômica da PCH: “a energia hidrelétrica pode ser contratada a R$ 90 /MW hora enquanto que a eólica, que é a mais competitiva, é de R$ 105 / MW hora” , completou

Francisco José Arteiro de Oliveira, diretor de planejamento e operação da ONS apresentou um retrato do dia a dia da operação do sistema. Exemplificou as variações de consumo com os picos de audiência da atual novela das 21 horas da TV Globo e de grandes eventos como a Copa do Mundo de Futebol de 2010. ” O controle hidráulico da fonte viabilizou o abastecimento nestes casos de recordes de demanda”, finalizou.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

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