Em primeiro leilão créditos de carbono da califórnia são vendidos a US$ 10,09

O sistema de cap-and-trade da Califórnia realizou na última semana seu primeiro leilão de permissões de emissões de carbono, vendendo todos os 23,1 milhões de créditos oferecidos no evento para 2013, arrecadando cerca de US$ 233 milhões.

O resultado do leilão, realizado na última quarta-feira (14), foi divulgado nesta segunda-feira (19), revelando que o preço de venda das permissões para 2013 ficou em US$ 10,09, um pouco abaixo das estimativas dos especialistas, que esperavam uma faixa entre US$ 12 e US$ 15.

Já os créditos para 2015 foram vendidos pelo piso estabelecido, US$ 10, e das 39,4 milhões de permissões oferecidas, 5,5 milhões foram vendidas. De acordo com a Bloomberg New Energy Finance, a venda de poucos créditos futuros já era estimada devido às incertezas do mercado.

“Estamos satisfeitos que as permissões foram vendidas e que elas foram vendidas a um bom preço. Esse é um sinal de que temos um mercado vibrante e de sucesso aqui”, afirmou Mary Nichols, presidente do Conselho de Recursos do Ar da Califórnia, responsável pelo sistema.

O mercado, que cobre 85% das emissões do estado, está fornecendo por enquanto 90% de suas permissões para que os grandes poluidores tenham tempo de se adaptar às reduções de CO2. A cada ano, o limite será diminuído, para atingir 15% nas reduções de emissões até 2020.

“[O sistema] Está inteiramente de acordo com a noção de que a economia competitiva do século 21 é construída sobre formas limpas e mais eficientes de gerar energia, criar produtos e fazer negócios”, declarou Nichols em um e-mail.

Mas nem todos veem com bons olhos o novo mercado de carbono, que será o segundo maior do mundo, atrás apenas do europeu. Muitas das empresas afetadas chamaram o mercado de um imposto disfarçado, e disseram que lhes custaria cerca de US$ 1 bilhão apenas no primeiro ano, aumentando até 2015. A Câmara do Comércio da Califórnia, inclusive, entrou com uma ação questionando a autoridade do estado para vender as permissões.

“Vai ser um fardo enorme. Isso se transformará em uma taxa de energia multibilionária na economia do estado”, observou Shelly Sullivan, do Grupo de Implemetação AB 32, coalizão empresarial. “Eles estão aparecendo com regulamentos que são totalmente inviáveis”, acrescentou Bill Klesse, diretor executivo da Valero Energy Corp., dona de duas refinarias californianas.

Além da resistência de parte do setor empresarial, o mercado de carbono da Califórnia também enfrenta o desafio de que ocorrerão aumentos nas contas de energia dos consumidores. “Não podemos realmente dizer qual vai ser o impacto de custo para nossos consumidores. Sabemos que haverá um”, notou Lynsey Paulo, porta-voz da PG&E.

Ainda assim, os defensores do programa acreditam que isso não é razão suficiente para se posicionar contra o sistema. “Não queremos descartar a ideia de que haverá mudanças na estrutura do preço da energia por causa de um programa como esse. Mas não é uma razão para jogá-lo fora”, amparou Timothy O’Connor, do Fundo de Defesa Ambiental.

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