Em Lisboa, Congresso mundial debate alterações climáticas

A divulgação de novos dados sobre alterações climáticas e o debate de soluções para minimizar os efeitos do aquecimento global vão ser debatidos a partir de segunda-feira numa conferência mundial que se realiza em Lisboa.

Mais de uma centena de cientistas, políticos e investigadores vão reunir-se durante quatro dias na terceira edição da Conferência Mundial Sobre Aquecimento Global, que decorrerá na sede da Fundação Calouste Gulbenkian.

As alternativas energéticas aos combustíveis tradicionais – petróleo, gás natural e carvão – serão um dos temas em discussão e a questão que ocupará o primeiro painel de debate.

Para além das consequências ambientais, os especialistas irão ter em conta que as reservas de petróleo deverão durar para apenas mais 40 anos, num crescendo de preços que está a incrementar cada vez mais o recurso a fontes de energia alternativas, como o sol ou o vento, disse à agência Lusa o moderador desse primeiro módulo, o professor catedrático Manuel Collares Pereira.

Previsões dos peritos apontam para já se tenha consumido metade do petróleo existente em todo o mundo, enquanto o pico de consumo do gás natural deverá ser atingido em breve e a sua vida útil não deverá ir além de mais 60 anos, ainda de acordo com o especialista em energias alternativas e docente na Universidade de Évora.

A realidade comprova já que a produção eléctrica de energia através da luz solar (fotovoltaica) ou do vento (eólica) ganha cada vez mais terreno, enquanto o recurso ao hidrogénio — o elemento mais abundante no universo – se apresenta como outra alternativa, embora ainda mais distante pela dificuldade em conseguir separá-lo de outros elementos e em armazená-lo.

Sustentando que a evolução nos próximos anos passará pelo recurso simultâneo ao petróleo e às energias alternativas, incluindo também os biocombustíveis, Collares Pereira diz que um dos factores que mais pesa na opção pela electricidade é a existência da rede de distribuição.

A solução hidrogénio, considera, tem contra si, para já, além das dificuldades citadas, a necessidade de construção de uma rede de distribuição.

Garantido é que “o caminho” são as renováveis, assegura o cientista, realçando ainda o rótulo de “pioneiro” atribuído em Portugal pelo investimento já feito em energia solar e eólica.

Com a massificação da produção e a inerente baixa de preços, é possível, por exemplo, que uma família consiga ser auto-suficiente em energia elétrica com um investimento de 10 mil euros e até vender o eventual excedente de produção.

As emissões de carbono para a atmosfera, as consequências dos aerossóis, o impacto das alterações climáticas na biodiversidade, as tecnologias energéticas e os modelos de previsões de mudanças de clima vão ser outros temas em debate.

O secretário do Congresso, o professor da Universidade de Évora Heitor Reis, disse à Lusa que foram aceitas pela organização um total de 112 comunicações.

Lusa

Fonte: SIC Notícias

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