Eficiência energética – Sobre a eficiência energética em outros setores – MME.

Considerações iniciais
Excluído o setor energético, pode–se afirmar que os setores residencial e industrial,
analisados nas seções precedentes quanto à eficiência energética intrinsecamente
considerada na projeção dos respectivos consumos de energia, representam quase 60% do
consumo final energético. Entre os demais (transportes, agropecuário, comercial e público), destaca-se o setor de transportes, que compreende 32% do consumo final energético do país.
Esses outros setores apresentam especificidades que tornam complexa, ou mesmo
impraticável, uma avaliação mais pormenorizada da eficiência energética. No setor de
transportes, por exemplo, a definição de uma política para os modais aplicáveis para o
transporte de carga ou mesmo para o transporte coletivo de passageiros nas regiões
metropolitanas pode alterar completamente o quadro da demanda setorial de energia e, por
conseguinte, qualquer estimativa da eficiência energética no setor. Ademais, há reconhecidas dificuldades na obtenção de dados primários que permitam desagregar mais
convenientemente o consumo de energia de acordo com a modalidade de transporte, se de
carga ou de passageiros e, nesse caso, se coletivo ou individual, entre outras informações básicas. Ainda assim, foi possível estimar (de modo agregado) ganhos de eficiência para este setor no horizonte de 2019, conforme apresentado no item seguinte.

Para efeito do PDE 2019, os estudos não explicitaram o conteúdo de eficiência energética
intrinsecamente considerado nas projeções de demanda de energia para os demais setores,
com exceção do setor comercial – em que foi possível estimar a eletricidade conservada.
Contudo, uma estimativa é disponível a partir dos estudos elaborados para o PNE 2030 (EPE, 2007), como apresentado nos itens a seguir.

Setor de transportes

Para efeito de uma avaliação em perspectiva da eficiência energética no setor de transportes algumas variáveis são especialmente relevantes. Trata-se da distribuição da quantidade de carga e passageiros transportada segundo os diferentes modais, da evolução da frota de veículos leves e pesados, incluindo a penetração de veículos híbridos, elétricos ou movidos a hidrogênio, do consumo específico de combustíveis líquidos, como óleo diesel, gasolina e etanol, dentre outras.
No que se refere aos ganhos de eficiência decorrentes de alterações na matriz de transporte no horizonte de 2019, pressupõe-se que uma parcela do transporte rodoviário de carga passará a ser realizada pelos modais ferroviário e aquaviário, que implicará em uma redução no consumo de diesel quando se compara a tonelada-quilômetro transportada pelo modal rodoviário com a tonelada-quilômetro transportada pelos modais ferroviário e aquaviário.
Este ganho de eficiência intermodal foi estimado a partir do Plano Nacional de Logística e Transporte – PNLT (MT/MD, 2007). Deve-se ressaltar, contudo, que o cenário econômico do PDE 2019 considera uma taxa média de crescimento superior àquela adotada no PNLT. Por hipótese, admitiu-se que esta diferença de crescimento no setor de transportes se dará mediante maior utilização do modal rodoviário, que continuará prevalecendo na matriz de transporte brasileira até o final do horizonte decenal.
Vale notar que o PNLT constata que a matriz de transportes brasileira é, por assim dizer, desequilibrada, refletindo desvantagens logísticas que se traduzem em custos maiores e eficiências mais baixas, energética inclusive. Nesse contexto, o Plano ressalta a necessidade de alteração na repartição dos diferentes modais na matriz de transporte de carga nacional, privilegiando os sistemas ferroviários e aquaviário e buscando uma integração maior com o sistema rodoviário, para o qual propõe esforço concentrado de restauração e manutenção, em complemento a importantes obras de sua expansão.
A mudança de que trata o PNLT pode ser percebida no Gráfico 11, reproduzido do estudo, em que são apresentadas as metas definidas no Plano para a distribuição do transporte de carga no Brasil segundo os diferentes modais, considerando o índice de atividade em tonelada-quilômetro (t-km).
Conceitos e definições - Eficiência Energética
Para tanto, o PNLT sugere que mais da metade do investimento total, estimado em R$ 172
bilhões até 2023, seja destinado ao modal ferroviário (30% ou cerca de R% 50 bilhões), ao transporte marítimo (14,5% ou R$ 25 bilhões) e ao transporte aquaviário (7,5% ou
R$ 13 bilhões).
Do ponto de vista dos ganhos considerados no segmento de leves do modal rodoviário, a
evolução da eficiência média dos veículos que estão ingressando na frota depende da
melhoria tecnológica e do porte de veículos comercializados. Admitiu-se neste estudo uma
taxa média anual de crescimento de 0,7% para essa variável ao longo de todo o período de
estudo.
Com isto, estima-se que será possível reduzir em 4,6% (ou 5.471 mil tep) o consumo de
energia no setor de transportes no horizonte de 2019.

Setor agropecuário

O consumo de energia no setor agropecuário, correspondente a 5% do consumo final
energético no país, é basicamente concentrado em três fontes, a saber: óleo diesel (57%), lenha (26%) e eletricidade (16%). Desses, o que vem apresentando maior crescimento é a eletricidade, ao ritmo médio de 4,2% ao ano nos últimos 10 anos.
No âmbito do PDE 2019, não se explicitou eventuais ganhos de eficiência energética na
evolução da demanda desse setor. A referência disponível no PNE 2030 indica que, em uma
visão tendencial, do tipo “business as usual”, pode-se considerar que em 2020 poderiam ser “retirados” da demanda setorial de energia algo como 3,3%, proporção que se elevaria para 6% em 2030.

Setor comercial

De acordo com o BEN 2009 (EPE, 2009), o consumo de energia no setor comercial corresponde a 3,4% do consumo final energético do país, exclusive o setor energético. A fonte preponderante é a eletricidade, que concentra cerca de 87% da energia total consumida no setor.
Da mesma forma que no setor residencial, a avaliação da eficiência energética no setor
comercial e de serviços requer ampla pesquisa sobre posse e uso de equipamentos. Neste caso é ainda limitado conhecimento de sua estrutura, tendo em vista tratar-se de um setor bastante heterogêneo. Com efeito, incluem-se no setor comercial shopping centers,
estabelecimentos comerciais tradicionais do comércio varejista, inclusive bares e
restaurantes, estabelecimento do comércio atacadista, hotéis e instalações de lazer e
turismo, estabelecimentos financeiros, escritórios e estabelecimentos de serviços médicos, estabelecimentos de ensino e etc. Naturalmente, cada tipo de consumidor tem um perfil de consumo diferente, envolvendo usos e costumes diferentes, o que torna especialmente complexa a avaliação da eficiência energética nesse setor.
Ainda assim, no âmbito dos estudos do PDE 2019, foi possível estimar a eletricidade
conservada no setor comercial partindo dos ganhos energéticos apurados nas duas últimas
edições do BEU (anos bases: 1994 e 2004) e admitindo-se a manutenção da dinâmica histórica destes ganhos no horizonte deste trabalho (2010-2019). Segundo este procedimento de cálculo, estima-se em 4,1% a energia conservada neste setor no ano de 2019, o equivalente a uma redução de cerca 5.052 GWh.

Clique aqui para ler está matéria completa – Eficiência energética na indústria e nas residências – Ministério de Minas e Energia

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