Eficiência energética – Setor Industrial – MME.

Parâmetros básicos

Conforme dados do BEN o consumo de energia no setor industrial brasileiro é bastante
diversificado, conforme apresentado na Tabela 13. A principal fonte de energia, eletricidade, representa apenas 20% do consumo total de energia no uso final. São ainda relevantes, como fonte de energia para a indústria, o bagaço de cana, a lenha e o carvão mineral e derivados.
Consumo final energético no setor industrial brasileiro em 2008 - Eficiência Energética
Uma avaliação acurada da eficiência energética na indústria demandaria, por certo, o exame dos processos empregados em cada subsetor, incluindo as possibilidades de atualização tecnológica. Uma abordagem mais geral, contudo, pode levar a resultados aceitáveis, principalmente quando se tem em conta os objetivos a que se destina a avaliação, quais sejam, no caso, os estudos de planejamento energético.
Nessas condições, a avaliação da eficiência energética na indústria foi realizada tomando por base a cenarização de indicadores selecionados, a saber:
• Consumo específico, no caso de setores considerados mais homogêneos (cimento, ferro
gusa e aço, ferro-ligas, não-ferrosos e papel e celulose);
• Intensidade energética, no caso de setores considerados mais heterogêneos (alimentos
e bebidas, têxtil, cerâmica, mineração, química e outras indústrias).
A energia conservada em cada segmento industrial resultou da diferença entre o consumo de energia estimado considerando inalterados os rendimentos energéticos dos equipamentos, processos e usos finais (baseline, ano base 2008) e o consumo de energia calculado admitindo-se evolução em tais rendimentos.
A projeção desses indicadores foi realizada tomando como base referencial as informações
das séries históricas do BEN (EPE, 2009) e o potencial de conservação de energia (ver seção 3 desta nota técnica). Como procedimento geral, levou-se em conta os ganhos energéticos apurados com base nas duas últimas edições do BEU (anos bases: 1994 e 2004), admitindo-se a manutenção da dinâmica histórica destes ganhos no horizonte deste trabalho (2010-2019).
Em complemento, analisou-se a estrutura do consumo energético de cada segmento
industrial, considerando os dados históricos, as tendências tecnológicas em curso e, quando relevante, cenários possíveis de substituição entre energéticos, tudo em conformidade com as hipóteses de trabalho adotadas, que foram:
* Expansão de capacidade instalada formulada em acordo ao cenário macroeconômico
adotado e a partir de consultas feitas a associações de classe, empresas de alguns dos
setores em estudo e outros órgãos governamentais;
* Preço relativo do gás natural inferior ao do óleo combustível, entre 2009 e 2013,
atingindo a igualdade entre 2014 e 2019;
* Aumento da disponibilidade de gás natural no curto prazo em razão da crise
internacional de 2008-2009 e da redução do despacho de termelétricas a gás natural
em função da retração do consumo industrial de eletricidade;
* Aproveitamento parcial do potencial de eficiência energética indicado pelo BEU 2005.
Nessas condições, os consumos específicos e as intensidades energéticas considerados neste trabalho são os apresentados no Gráfico 3 e no Gráfico 4.
 Consumo específico de energia em setores industriais selecionados (tep/10ton) - Eficiência Energética

Energia elétrica

O Gráfico 5 apresenta os ganhos em energia elétrica estimados para cada subsetor da
indústria de acordo com a abordagem metodológica e os parâmetros básicos acima resumidos.
As indústrias para as quais se avalia maior ganho de eficiência energética no uso da
eletricidade se caracterizam por um consumo energético mais intensivo, a saber papel e
celulose, siderurgia, ferroligas e cimento.
 Ganhos de eficiência energética na indústria: energia elétrica (*) - Eficiência Energética
Entre as eletrointensivas, também merece destaque, apesar de proporcionalmente menor, o
ganho de eficiência visualizado na indústria de não ferrosos, dominada, em termos da
quantidade de energia consumida, pela produção do alumínio. Pela própria natureza dessa
indústria, a preocupação com a eficiência energética, especialmente quando se trata de
energia elétrica, é relevante e, no Brasil, em razão da atualização tecnológica do segmento, o setor é reconhecidamente eficiente. Ainda assim, vislumbram-se ganhos setoriais adicionais ao longo do horizonte, permitindo que o consumo específico médio do segmento evolua de 14,9 MWh/t para 14,5 MWh/t no horizonte deste trabalho.
No caso do setor químico, dois aspectos contribuem para um aumento na eficiência
energética: a expansão da tecnologia de membrana na produção de soda-cloro, sinalizando
ganhos da ordem de 8% no consumo específico médio de eletricidade do segmento e o aumento da participação da cadeia do propeno (menos eletrointensiva), provocando uma
queda de 20% no consumo específico de eletricidade no segmento petroquímico.
Avalia-se que a indústria como um todo obtenha, no final do horizonte, em 2019, ganhos em eficiência elétrica, que podem atingir mais de 9.243 GWh, o que equivale, de acordo com os estudos em elaboração na EPE para o PDE 2010-2019, a 2,5% do total do consumo de energia elétrica projetado para o ano de 2019.
Em termos de geração evitada, essa economia de energia equivale, aproximadamente, à
energia produzida em um ano por uma usina termelétrica a carvão (considerando carvão
nacional) com 1.400 MW, potência superior à do Complexo Jorge Lacerda em operação em
Santa Catarina. Equivale, ainda, à geração anual de uma usina hidrelétrica com cerca de
1.900 MW, porte comparável ao das usinas de São Simão, no rio Paranaíba, em Minas Gerais
ou de Foz do Areia, no rio Iguaçu, no Paraná, que figuram entre as 10 maiores usinas em
operação no Brasil.
Em termos da contribuição setorial no total de energia elétrica conservada na indústria, o ranking tende a acompanhar o peso relativo de cada subsetor no consumo de eletricidade da indústria, conforme mostra o Gráfico 6.
 Participação dos subsetores no total da energia elétrica conservada na indústria - Eficiência Energética
Essa repartição considera o efeito estrutura, ou seja, é influenciada pela evolução da
participação de um segmento no consumo total da indústria. Pode-se isolar esse efeito
relativizando a contribuição de cada subsetor à sua participação na estrutura atual do
consumo de energia da indústria. Desse modo, pode-se perceber mais claramente quais
segmentos exibem maiores (ou menores) ganhos relativos em termos da eficiência energética no uso da energia elétrica. É o que mostra o Gráfico 7, em que se destaca o setor de papel e celulose, seguido por ferro gusa e cimento. Nesse gráfico, o índice 100 significa que a contribuição do subsetor para o ganho de eficiência elétrica equivale a sua participação na estrutura atual do consumo de eletricidade da indústria. Por sua vez, valores maiores do que 100 indicam que um potencial de eficiência energética relativamente maior foi obtido, comparativamente a uso corrente de energia em determinado segmento. Exemplificando, no período de estudo, identificou-se que o segmento industrial de produção de ferro-gusa e aço pode reduzir um percentual maior do consumo específico de eletricidade comparativamente ao segmento industrial de produção de metais não ferrosos.
 Avanço relativo da eficiência energética (eletricidade) por setor da indústria - Eficiência Energética

Combustíveis

Para efeito deste trabalho, os demais energéticos utilizados na indústria foram tratados de forma agregada. O Gráfico 8 apresenta os ganhos em energia elétrica estimados para cada subsetor da indústria de acordo com a abordagem metodológica e os parâmetros básicos
acima resumidos.
Entre as indústrias para as quais se avaliam maiores ganhos de eficiência energética no uso dos combustíveis estão cerâmica, na aplicação de aquecimento direto – fornos e secadores, e papel e celulose, na produção de vapor de processo. Também se visualizam ganhos relevantes na mineração e na indústria química.
Avalia-se que a indústria como um todo possa obter, no final do horizonte, em 2019, ganhos em eficiência energética no uso de combustíveis que podem atingir 6.643 mil tep, o que equivale, de acordo com os estudos em elaboração na EPE para o PDE 2019, a 4,2% do total do consumo industrial de combustíveis projetado para o ano de 2019.
Essa economia de energia corresponde aproximadamente a 110 mil barris equivalentes de
petróleo por dia, ou seja, 5,4% da produção brasileira de petróleo em 2009.
 Ganhos de eficiência energética na indústria: combustíveis (*) - Eficiência Energética
Em termos da contribuição setorial no total de combustível conservado, assim como no caso da energia elétrica, o ranking tende a acompanhar o peso específico do setor na estrutura do consumo, conforme ilustra o Gráfico 9. As exceções são os setores de papel e celulose e cerâmica, cuja participação na conservação se mostra relativamente maior, e, em contraposição, o setor de alimentos e bebidas, que tem uma importância na estrutura de consumo maior do que sua participação nos ganhos de eficiência energética. Esta pequena alteração de ordem decorre da identificação de maiores potenciais de ganho relativo no consumo de combustíveis comparativamente a outros segmentos industriais. Por exemplo, nos fornos utilizados em produção cerâmica e caldeiras na produção de celulose e papel.
Pode-se isolar esse efeito relativizando a contribuição de cada subsetor à sua participação na estrutura atual do consumo de energia da indústria. Desse modo, pode-se perceber mais claramente quais segmentos exibem maiores (ou menores) ganhos relativos em termos da eficiência energética no consumo de combustível. É o que mostra o Gráfico 10, em que se destaca o setor de cerâmica, seguido pelo de papel e celulose. Nesse gráfico, o índice 100 significa que a contribuição do subsetor para o ganho de eficiência energética equivale a sua participação na estrutura atual do consumo de combustíveis da indústria. Por sua vez, valores maiores do que 100 indicam que é possível atingir um potencial de eficiência energética relativamente maior comparativamente a uso corrente de energia em determinado segmento.
Exemplificando, no período de estudo, identificou-se que o segmento industrial de produção de cerâmica pode reduzir um percentual maior do consumo específico de combustíveis comparativamente ao segmento industrial de produção de metais não ferrosos.
 Participação dos subsetores no total do combustível conservado na indústria  - Eficiência Energética
 Avanço relativo da eficiência energética (combustíveis) por setor da indústria  - Eficiência Energética
Vale ressaltar que o ganho de eficiência energética na indústria (excetuando a eletricidade) corresponde, em valores aproximados, a 52 MtCO2 (milhões de toneladas de CO2) evitados no período de 2010 a 2019. Por sua vez, o volume de emissões evitadas pela redução no consumo de eletricidade ao longo do decênio é estimado em 2,5 MtCO2 (considerando o fator de emissão médio do Sistema Interligado Nacional no período 2010-2019, de 0,0477 tCO2/MWh).
Somando-se as duas parcelas, tem-se um volume de emissões evitadas da ordem de 55 MtCO2.
Comparativamente, isso equivale a evitar quase 5 vezes a emissão de CO2 do SIN no ano de
2007, que foi da ordem de 12 MtCO2.

Clique aqui para ler está matéria completa – Eficiência energética na indústria e nas residências – Ministério de Minas e Energia

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