Destruição ambiental e fome

Aquecimento global causou a pior seca em 60 anos no nordeste da África, acarretando uma catástrofe social: já são 12, 5 milhões de famintos

Rio – Como se não bastassem a pobreza grave e a intransigência de milícias extremistas que impedem que ajuda humanitária chegue, a pior seca dos últimos 60 anos na região conhecida como ‘Chifre da África’ tem mais um agravante: o aquecimento global. Segundo estudo do Serviço Geológico dos EUA (o USGS) e da Universidade da Califórnia, a crise de fome causada pela estiagem, que já afeta 12,5 milhões de pessoas, tem como um de seus motivos o aquecimento acentuado do Oceano Índico, que restringe a chegada de umidade à região.

Basicamente, asseguram os cientistas, com as maiores temperaturas nas águas do Oceano Índico, passa a chover mais sobre a região, antes que a umidade que leva às precipitações alcance outras áreas, como o Chifre da África, formado por Somália, Djubouti, Quênia, Uganda e Etiópia.

Segundo os professores Park Williams e Chris Funk, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, a diminuição das grandes chuvas no nordeste africano é um processo gradual nos últimos 30 anos. Agora, chove de 35% a 45% menos do que em 1981. Outros pesquisadores, como o alemão Christian Wolff, da Universidade de Potsdam, citam a influência do fenômeno La Niña, frequentemente apontado como mais comum e forte por causa das mudanças climáticas. O La Niña influencia a relação de ventos e da temperatura dos mares.

O agravamento da fome na África foi uma das previsões feitas logo após a divulgação do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU, que atribuiu definitivamente ao homem a responsabilidade sobre as alterações no clima.

Esta semana, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), Jacques Diouf, afirmou que, apesar da questão climática, técnicas de irrigação, colheitas e estocagem podem melhorar a situação. “É nossa responsabilidade ajudar as populações afetadas, já que é inadmissível que nos dias de hoje, com os recursos financeiros, as tecnologias e os conhecimentos disponíveis, mais de 12 milhões de pessoas morram de fome”, disparou.

Fonte: O Dia Online

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