Desmatamento criminoso da Amazônia

Aquecimento global, incêndios, enchentes, secas, desastres ambientais com previsão de perdas de safras na região sul, ausência de Programas de Gerenciamento sustentável.

A produção agrícola da região sul foi extremamente prejudicada no ano de 2004 decorrente de uma severa seca, forçando o governo a determinar a chamada “Bolsa seca”, que foi uma verba destinada a cobrir os prejuízos dos agricultores motivados pela perda de produção.

De acordo com pesquisadores um dos motivos da seca seria em decorrência do efeito estufa e conseqüente aquecimento global, causado entre outros fatores pelo desmatamento. Os pesquisadores partiram para uma curiosa designação para a perda de água sob forma de vapor pelas folhas denominando de “rios voadores” que nada mais são do que massas de umidade que nascem da transpiração das árvores amazônicas e que se locomovem em direção ao sul podendo causar cerca de 70% das chuvas do sudeste e sul do Brasil.

Quatro anos depois da seca de 2004 os pesquisadores em um minucioso trabalho que foi financiado pela Global Canopy Program em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a empresa Plant Inteligência Ambiental podem ter evidenciado que, com a diminuição da quantidade de árvores decorrente do desflorestamento, haja menos transpiração e, portanto, menos umidade trazida para o sul, e desta forma fornecendo subsídios para sustentar a veracidade da possibilidade de secas periódicas na região sul como uma decorrência do desmatamento da Amazônia.

Warwick Manfrinato, engenheiro agrônomo e pesquisador que participou do estudo esclaresce que mesmo que a seca em diferentes regiões do País não dependa exclusivamente do desmatamento na Amazônia, devemos urgentemente diminuir o ritmo da derrubada de florestas.

No momento em que tivermos a certeza da real extensão do desmatamento da Amazônia, os cientistas acreditam que será tarde demais para se conter um verdadeiro desastre no sistema de produção sendo que, poderemos ter perdas de safra que poderão atingir até 80% O estudo tem ainda como objetivo demonstrar que a fragilidade da produção agrícola é diretamente dependente dos fatores ambientais e se a teoria relativa aos riscos do desflorestamento indiscriminado estiver correta e nada for feito para salvar a floresta, os danos previstos na produção agrícola devem ser muito maiores e de prejuízos imprevisíveis.

De acordo com o engenheiro agrônomo Sady Ricardo dos Santos, Presidente do CEPEDA- Centro de Pesquisa, Preservação e desenvolvimento ambiental, desde o ano de l985 foi elaborado um Programa de Gerenciamento Agropecuário e Ambiental por satélite (DO Reg. 0846 aprovado pelo CREA e CONFEA) que se propõe a analisar, controlar, planejar e monitorar todo o processo de produção agropecuária e sua inter-relação com o meio ambiente, estabelecendo um diagnóstico a nível nacional e identificando as vocações e potencialidades regionais. Na seqüência, por cruzamento de informações de solo, clima e outros fatores representativos regionais pode ser estabelecida uma projeção de uso adequado do solo e a respectiva programação para cada região do País com indicações precisas das melhores e mais indicadas opções não só com relação à agricultura e pecuária como em especial visando a preservação do meio ambiente como um todo e com uma agricultura mais sadia, com muito menos riscos de pragas e doenças que atacam as plantas cultivadas. Tivesse o Programa de Gerenciamento sido aproveitado pelo Governo para implantação de uma CENTRAL com equipamentos e pessoal especializado, proposta na ocasião, para o estabelecimento de um planejamento com gerenciamento do desenvolvimento sustentável deste País, a Amazônia jamais teria sido destruída da forma que vem sendo, pois com o diagnóstico a partir inclusive de imagens de satélite Landsat e geradas em SGI (sistema geográfico de informações) da região seria realizada a Projeção do uso adequado do solo, e estabelecidas as normas para o seu aproveitamento de forma sustentável. Este Programa foi remetido aos Emirados Árabes e para a Arábia Saudita, tendo em vista solicitação do Ministro do Meio Ambiente dos Emirados, considerando a necessidade de uma programação para o gerenciamento sustentável daqueles países.

Infelizmente, mesmo com o apoio do Ministério da Agricultura e do INPE o Programa não pode ser introduzido no País, tendo em vista pressões de multinacionais e inclusive nacionais visando o desflorestamento da Amazônia para exploração de madeira e demais produtos da biodiversidade e ainda os programas de vendas e inclusive na distribuição indiscriminada de agrotóxicos, fertilizantes e presentemente a introdução de produtos transgênicos. Isto tudo sem mínima observância das vocações e potencialidades regionais e ainda sem a menor preocupação para com o desenvolvimento sustentável regional principalmente com a preservação e proteção do meio ambiente.

Se utilizado o PROGRAMA DE GERENCIAMENTO AGROAMBIENTAL POR SATÉLITE registrado no CREA e aprovado pelo INPE, teríamos para o Brasil um novo modelo para um desenvolvimento agropecuário e ambiental economicamente viável e ecologicamente recomendável.

O que continuamos, entretanto, a ver com desalento neste País, é a total falta de interesse na preservação do meio ambiente e de uma orientação mais segura para uma agricultura sadia com preservação ambiental. A Amazônia continua a passos largos sendo desmatada por vândalos e a desertificação está substituindo a mais linda floresta do mundo. Ainda como possível decorrência, as modificações do clima estão alarmando as pessoas que vêm observando variações bruscas em todo o processo climático, com temperaturas altas alternando com baixas, secas prejudiciais em algumas regiões, em outras temporais com chuvas causando enchentes com grandes enxurradas, desmoronamentos de morros, casas e causando em conseqüência o que é o pior: matando e deixando sem abrigo a centenas de pessoas em muitas cidades de diferentes regiões deste País.

AMAZÔNIA, a grande fonte de biodiversidade, de equilíbrio climático e do oxigênio como alimento vital para a manutenção de toda a vida sobre a terra, está para tristeza de todos nós sendo espoliada pela ação impiedosa de seres alienados pela fome de lucros fáceis. Continuam impunemente cometendo crimes ambientais teoricamente inafiançáveis e destruindo a maior reserva florestal e de biodiversidade deste planeta e subtraindo parte do bem mais precioso da humanidade – A VIDA SOBRE A TERRA.

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