Consumismo e Responsabilidade Ambiental: destinação de resíduos.

As atitudes que foram tomadas por pessoas influentes na sociedade, contribuíram para uma reflexão das ações até então adotadas, logo em seguida a legislação foi se modificando para também se adaptar as novas necessidades encontradas, as discussões sobre aquecimento global, e mudanças climáticas cresceram em tomaram lugar de prioridade em reuniões de autoridades e pessoas comuns a sociedade, no teor das discussões figura de maneira significativa e a produção de lixo, bem como destinação que tem sido dada, as empresas passam a se preocupar não só com a produção mais limpa, mas também com o descarte considerado menos agressivo ao meio ambiente, por fim cabe uma reflexão acerca das atitudes individuais que podem ajudar a reduzir os impactos ambientais. O problema ambiental é um agravante que está sendo discutido mundialmente e atinge a todos os seres vivos. É necessário “desativar a bomba relógio” que aí está, para buscarmos um ambiente sustentável é indispensável a consciência de que cada um de nós é parte deste todo, e que individualmente todos devem contribuir fazendo a sua parte para evitarmos o colapso. É perceptível a mudança climática, as grandes secas no Sul do Brasil e enchentes no Nordeste, os casos de clima se inverteram; as praias invadem cada vez com mais força, o local onde antes eram considerados locais seguros, não será necessário discutir todos os problemas, o fato é que é preciso tomar atitudes drásticas ou simples, para ajudarmos a salvar o planeta que como prega a campanha da fraternidade 2011 “a terra geme em dores de parto”. Sozinhos fazemos muito pouco, mas no Brasil cada um se unindo ao outro serão em media 195 milhões de atitudes que certamente ajudará as próximas gerações a viverem de maneira digna. O presente artigo teve como base a pesquisa exploratória de obras como livros, artigos científicos e sites. Segundo o manual de trabalhos acadêmicos da Faculdade AGES metodologia é a descrição precisa dos métodos, materiais, técnicas e equipamentos utilizados. Deve permitir a repetição do experimento ou estudo com a mesma exatidão por outros pesquisadores. No caso desse tipo de pesquisa as considerações podem variar, pois o entendimento e compreensão dependem da bagagem cultural e do ponto de vista de cada ser.

1 INTRODUÇÃO

Não dá para não falar em gestão de resíduos sem falar sobre a responsabilidade empresarial, visto que os produtos que vão para a sociedade são intermediados por empresas sejam elas prestadoras de serviço, ofertantes de produtos ou indústria. No Brasil existe uma nova realidade: as pessoas antes das classes consideradas baixas conseguiram o acesso a produtos e serviços outrora denominados elitizada, bem como o acesso ao crédito e a educação, facilitaram a aquisição de produtos supracitados, fato que contribuiu para o crescimento e aquecimento da economia, dessa forma nos deparamos com um paradoxo: de um lado a necessidade de inclusão social, de crescimento e desenvolvimento econômico e de outro a sustentabilidade, pois, de nada vai adiantar uma sociedade economicamente saudável se utilizarem de maneira inconseqüente os recursos naturais e essenciais à vida.

Diante dessa atual realidade muito vem se discutindo acerca de produção sustentável, descarte correto e a responsabilidade socioambiental.

As atividades empresariais são constituídas basicamente por Entrada, Processos e Saídas. É de fundamental importância que seja avaliado de maneira consciente os insumos que comporão a entrada, como a matéria-prima, a mão de obra envolvida, da mesma forma é necessário realizar os processos de maneira que garanta a possibilidade de as próximas gerações também desfrutarem das condições de sobrevivência presentes hoje, reduzindo, reutilizando, tratando de maneira correta os produtos envolvidos no processo, assim como na saída além de garantir a satisfação e encantamento do cliente, é de fundamental importância o lançamento de produtos que não agridam o meio ambiente. Vale lembrar que o processo de descarte é uma das preocupações mais recentes e fortalecendo a necessidade de da o destino correto.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Conceito e Legislação Ambiental

Para uma melhor compreensão o tema é necessário uma base mais solida acerca dos conceitos mais importantes aqui relatados. Iniciando com meio ambiente, que para Guerra et al (2009 p. 191) apud SEMA é ” tudo que cerca o ser vivo, que o influencia e que é indispensável à sua sustentação. Estas condições incluem solo, clima, recursos hidricos, ar, nutrientes e os outros organismos”. Vemos que homem é um produtor de resíduo sólido que para Trigueiro (2005 p. 361) é “qualquer material resultante de atividades humanas descartado ou rejeitado por ser considerado inútil ou sem valor”, da mesma forma para ABNT, através da NBR 10004 “Resíduos nos estados sólido e semi-sólidos, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição”.

Para a Casa Civil Brasileira:

Material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível (Lei 12.305/2010).

Muito se fala em desenvolvimento sustentável, defendido por no relatório de Brundtland em 1984 como “o desenvolvimento que satisfaz ás necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer as suas próprias necessidades” bem como para Barbieri (2007 p. 39) “a melhoria da qualidade de vida respeitando os limites da capacidade dos ecossistemas”, ampliando para o temo uso sustentável que Barbieri (2007 p. 39) defende como “utilização de recursos renováveis respeitando sua capacidade de reprodução”.

Para uma vida organizada em uma sociedade é imprescindível à criação e cumprimento de Leis, que irão reger a forma como cada uma deve agir, ou seja, vai determinar ou inibir determinado comportamento, Iniciando com a carta Magna do país, a Constituição Federal de 1988, no artigo 225, dispõe:

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público á coletividade dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (BRASIL, 1988).

Logo em seguida a Lei 9433 de 1997, que dispõe da gestão dos recursos hídricos. No capítulo II, artigo 2º II, tem como um dos objetivos” a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natural ou decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais. Não de se negar os efeitos dos resíduos sólidos nos lençóis freáticos, indo de encontro com a legislação vigente. Lei n° 9.605 em 1998, dispõe das sanções penais decorrentes de condutas e atividades que causam lesão ao meio ambiente, no capitulo V” dos crimes contra o meio ambiente”, em sua seção III discorre acerca da poluição e outros crimes ambientais, temos no artigo 54 “Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora: Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa”. Em agosto de 2010 foi publicada a Lei N° 12.305 que dispõe da política nacional de resíduos sólidos, bem como sua classificação, destinação entre outros aspectos. Podemos observar que pelo menos no Brasil existe a legislação, no entanto não visualizamos na prática a aplicabilidade e o cumprimento das mesmas.

2.2 Descrição e Tipos de Resíduos

Como foi citado nos conceitos resíduos são materiais resultantes de atividades humanas que são descartados por serem considerados inúteis ou sem valor, a NBR 10004 publicada em 2004, define resíduos sólidos como

Resíduos nos estados sólidos e semi-sólidos, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível.

Descreve entre outras questões a classificação quanto à periculosidade, os resíduos podem estar na classe I perigosos, II não perigosos, III Não inertes e IV não inertes. Tenório e Espinosa (2004 p. 159) descreve que “existem várias formas de classificação, entretanto, a mais convencional leva em consideração a sua origem” Dessa forma podem ter origem industrial, urbano, de serviços de saúde, entulhos, de portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários, agrícolas, radioativos.

a) Resíduos Urbanos

Composto por resíduos domiciliares, oriundos de varrição de limpeza pública urbano e resíduo comercial. A responsabilidade da destinação é da prefeitura até uma certa quantidade a partir daí é transferido para o estabelecimento.

b) Resíduos industriais

São resíduos gerados pelas atividades industriais, pode ser considerado das classes I, perigosos, II não inertes e III inertes, a responsabilidades pelo acondicionamento é da indústria geradora.

c) Entulhos

Gerado basicamente pela construção civil, por comparação com lixo urbano a prefeitura é co-responsável pelo tratamento correto, se gerado em pequena quantidade.

d) De porto, aeroporto, terminais rodoviários e ferroviários

Constituído por resto de comida, material de higiene pessoal, ou sejam, são resíduos sépticos capazes de proporcionar doenças, a responsabilidade assim como o industrial é da empresa geradora.

e) Agrícolas

Composto por embalagens de defensivos, adubos, ração, esterco e resto de colheita, os agrotóxicos são regidos por legislação específica, a responsabilidade é do produtor e a empresa fornecedora é co-responsável. No Brasil de acordo com o IBGE a coleta de lixo diária “nas cidades com até 200.000 habitantes, são recolhidos de 450 a 700 gramas por habitante; nas cidades com mais de 200 mil habitantes, essa quantidade aumenta para a faixa entre 800 e 1.200 gramas por habitante”

2.3 Formas de Destinação

O acondicionamento do lixo é um dos problemas ambientais mais acentuados, de acordo com Costa (2004, p. 50) “um brasileiro produz entre 500 g e 1 kg de lixo por dia enquanto um cidadão dos estados Unidos produz em média 2 kg diariamente e um japonês quase 3 kg”, em uma palestra realizada no IV Fórum Regional de Sustentabilidade na cidade de Paripiranga em 2011, comentaram com se consumíssemos na mesma proporção de um americano precisaríamos de pelo menos cinco planetas. Em uma das palestras realizada no terceiro encontro de formação de gestores ambientais, promovido pelo PEAS, em 2011, apresentaram que a água potável e acessível no planeta é apenas de 0,01 %, nesse mesmo encontro um representante da Embasa afirmou que existem locais onde se perde até 70% da água captada, por causa da tubulação. A problemática da água é citada, para compreendermos que o lixo acondicionado de maneira incorreta polui os lençóis freáticos, e o nível de água já não é tão suficiente e com o passar do tempo, pode funcionar como uma bomba relógio, onde o sofrimento vai figurar diariamente na vida do ser humano.

Vemos não muito longe de casa que o lixo é acondicionado maneira errada, por exemplo, na cidade de Jeremoabo, Bahia todo o lixo, inclusive hospitalar é lançado em um grande terreno baldio, a céu aberto.

2.3.1 Reciclagem

De acordo com o site Mundo da Reciclagem, reciclar “consiste em transformar os materiais inúteis em novos produtos ou matérias primas de forma a diminuir a quantidade de resíduos, poupar energia e recursos naturais valiosos”, é sem dúvida um dos destinos mais corretos para o resíduo sólido, trás benefícios inquestionáveis para a sociedade, pois de um lado retira do meio ambiente alguns resíduos que durariam anos e causariam a poluição do solo, ar e lençóis freáticos, contribui para a redução do uso dos recursos naturais e, além disso, promove a geração de renda para as pessoas que sobrevivem diretamente e indiretamente do lixo. O IBGE divulgou na Pesquisa Nacional de Saneamento Básico realizada em 2008 e constatou que “o manejo dos resíduos sólidos (que inclui coleta e destinação final do lixo e limpeza pública) passou a existir em todos os municípios em 2008, frente a 99,4% deles em 2000″ os programas de coleta seletiva cresceram de 451 em 2000 e alcançando o patamar de 994 em 2008, ainda segundo a mesma pesquisa:

O número de programas de coleta seletiva dobrou, passando de 451 em 2000 para 994 em 2008, concentrando-se, sobretudo, nas regiões Sul e Sudeste, onde, respectivamente, 46% e 32,4% dos municípios informaram ter coleta seletiva em todos os distritos (IBGE – PNSB, 2008).

2.3.2 Aterro Comum

O Aterro sanitário tem sido outra forma de destinação de resíduos, é classificado em aterro comum, lixões ou vazadouros a céu aberto: que para Jardim et al (1995, p. 47 “é a forma inadequada de disposição de resíduos sólidos, que se caracteriza pela simples descarga de resíduos sobre o solo, sem medidas de proteção ao ambiente ou à saúde pública”.

Os vazadouros a céu aberto, conhecidos como “lixões”, ainda são o destino final dos resíduos sólidos em 50,8% dos municípios brasileiros, mas esse quadro teve uma mudança significativa nos últimos 20 anos: em 1989, eles representavam o destino final de resíduos sólidos em 88,2% dos municípios. As regiões Nordeste (89,3%) e Norte (85,5%) registraram as maiores proporções de municípios que destinavam seus resíduos aos lixões, enquanto as regiões Sul (15,8%) e Sudeste (18,7%) apresentaram os menores percentuais (PSNB, 2008).

Embora esse seja um processo mais barato e mais rápido contribui para o crescimento e proliferação de insetos e roedores.

2.3.3 Aterro Controlado e Aterro Sanitário

É aquele possui uma cobertura de material inerte, o que não resolve o problema da poluição, pois não são levados em conta a poluição.

Já o Aterro Sanitário, para a ABNT (1984), através da NBR 10004, “consiste na técnica de disposição de resíduos sólidos no solo, sem causar danos ou riscos à saúde pública e à segurança” é eficiente pois causa menos impacto ao meio ambiente e é uma solução economicamente viável; no entanto a vida útil é de curta duração, controle e manutenção constante e utilização de grandes extensões de terra. Para os resíduos sólidos industriais existem os aterros próprios, que são geralmente classificados como aterro classe I, aterro classe II ou aterro classe III. Fazendo um comparativo entre os anos 2000 e 2008 vemos que houve um acréscimo de 17,3 para 27, 7% do lixo era destinado de maneira mais correta para aterros sanitários.

Figura 1 – Destino Final dos Resíduos Sólidos, por unidades de destino dos resíduos Brasil – 1989/2008

Fonte: IBGE, 2008

2.4 Gestão Ambiental na Prática

2.4.1 Atitudes Empresariais

A Caixa Econômica Federal é uma das maiores financiadoras da casa própria no Brasil, criou um selo, bem como uma exigência como requisito para aprovar o financiamento. Entre os critérios temos: aproveitamento da energia solar, proximidade de ambientes como escolas, farmácias, supermercados; este item inicialmente pode não figurar como uma ação sustentável, no entanto ao residir próximos de estabelecimentos os moradores não necessitarão de veículos automotores para se deslocar, reduzindo a emissão de gases poluentes. Outro requisito é a questão da preferência para construtoras que produzam menos lixos de construção ou entulhos, bem como aquelas que dão um destino correto para esses resíduos.

A HP, marca renomada de componentes eletrônicos, como computadores portáteis, calculadoras, memória externa, possui um programa de reciclagem, onde o consumidor entrega seu equipamento velho, inútil ou obsoleto e a empresa se encarrega de dar o destino correto.

A ANP (Agência Nacional de Petróleo) possui empresas filiadas que periodicamente, visitam as empresas que prestam serviço de troca de óleo automotivo, para recolher o óleo usado e pagam a depender da região em média 0,50 (cinquenta centavos) por litro.

Algumas empresas utilizam papel de origem certificada, reciclada ou biodegradável que agride menos o meio ambiente, visualizamos no Agente Financeiro Bradesco que utiliza em suas operações papel certificado de origem sustentável.

A Natura, grande empresa no ramo de cosmético e perfumaria, oferece uma gama de produtos com refil, onde o consumidor adquire o conteúdo em embalagens que de decompõe mais rápido e utilizam por varias vezes a primeira embalagem.

A Danone, periodicamente realiza promoções que incentivam a sustentabilidade, em uma de suas campanhas, oferecia sementes para serem plantadas, trazendo um efeito de educação ambiental, voltada para as crianças.

PEAS (programa de Educação Ambiental voltada para Sustentabilidade) realizou palestras e oficinas, com o objetivo de formar gestores ambientais, na semana de 30 de maio a 03 de junho de 2010, reuniu em Jeremoabo, quarenta pessoas das cidades de Jeremoabo e Pedro Alexandre, ambas da Bahia, com o objetivo de formar lideranças ambientais.

Várias ações de grandes empresas são visualizadas nas mídias, umas são postas em prática com o objetivo de realizar seu papel social, e que garantem um ambiente saudável, no entanto outras buscam mostrar um marketing social falso, pois camuflam práticas que desrespeitam o ambiente, a sociedade e principalmente as futuras gerações. Apenas um meio de maquiar o Balanço Social.

4.1.2 Atitudes individuais

Depois de visualizar a questão ambiental, no âmbito empresarial, começamos a refletir uma frase que nos dias atuais é muito utilizada que é “agir local e pensar global”, atitudes simples como fechar a torneira enquanto escova os dentes, jogar o lixo no local adequado podem fazer toda a diferença no cuidado com o meio ambiente, de fato o poder público tem responsabilidades, mas cabe a nós o dever de cobrar, e fazer pôr em prática a lei que ai está, solicitar que os culpados sejam punidos. A busca de pela sustentabilidade começa a surgir no dia-a-dia das organizações com dicas proposta por Pereira:

utilização de materiais reciclados e reutilizáveis, a coleta e destinação correta dos resíduos gerados pelo evento, a neutralização das emissões de gás carbônico, cuidados com acessibilidade do local; racionalização do uso da água e de energia elétrica; utilização de alimentos orgânicos; incentivo ao comercio justo; promoção de ações sociais, culturais e de campanhas educativas, de incentivos á preservação ambiental (PEREIRA, 2010, p.4).

Entre ações individuais que podem ser citadas estão: Replantar árvores nos locais onde retirarem, evitar o desperdício de água, principalmente em atividades cotidianas, reutilizar a água para lavar a calçada, dar preferência por produtos cujas embalagens possuam um tempo menor de decomposição, reutilizar sempre que necessário, algumas embalagens, podemos citar a compra de refil dos produtos. A sacola retornável tem sido discutida e de fato caso o consumidor opte, ou infelizmente, seja obrigado por lei a não utilizar sacolas plásticas, isso trará um redução brusca no impacto ao meio ambiente, doação de materiais recicláveis para cooperativas, ou catadores autônomos, pois dessa forma retira-se do meio ambiente materiais e ainda contribui para a geração de renda de pessoas carente, a doação pode se estender para projetos do CRAS (centro de referencia e assistência social) que possui em seu programa a reutilização de resíduos para criação de objetos de utilidade, como bancos e lixeiros, bem como para objetos de decoração. Outra ação pode ser a doação, por exemplo, de botas, monitor de computador para artistas que transformam em objetos de decoração. Vale lembrar que o consumo é imprescindível para o desenvolvimento local, no entanto, isso deve acontecer de maneira consciente e da melhor maneira possível. Seiffert define:

Consumo sustentável o que o consumidor preocupa-se em selecionar produtos que evidenciam um processo de produção de ambientalmente mais adequado, evidenciando um comprometimento com a conservação dos recursos naturais, ainda que tenha que pagar mais caro pelo mesmo (2007, pág. 275).

Visualizamos que grande parte dos problemas ambientais são causados pelo homem, e para isso é necessário uma conscientização.

3 CONCLUSÕES

Logo após o despertar do homem para a questão da agressão ao meio ambiente, começaram a pensar em ações que produzisse efeitos menos agressivos, Seiffert (2007, p. 11) “foi a partir da década de 60 que começou a mudar a situação de descaso com relação às emissões de poluentes […] alguns recursos naturais passaram a ser mais valorizados, já com a preocupação com o aumento da população e do consumo”. Hoje a busca maior é para a reversão do quadro que se encontra, o aquecimento global, causado pela emissão de gases efeito estufa, tendo como uma das principais conseqüências o aumento da temperatura no planeta, o que faz com que o nível do mar se eleve, trazendo destruição em massa entre outras conseqüências graves, toda essa problemática fez com que representantes da sociedade civil se reunissem para discutir e buscar soluções.

Em 1968, foi formado o Clube de Roma, um grupo de cientistas, políticos e industriais que discutiam e analisavam os limites do crescimento, Pelicioni (2004, p. 445) afirma que os especialistas se reuniram com o objetivo de “aprimorar a compreensão dos componentes econômicos, políticos, naturais e sociais interdependentes do sistema global e encorajar a adoção de novas atitudes e políticas publicas, e instituições capazes de minorar os problemas”. Eles identificaram o crescimento demográfico desenfreado, a industrialização acelerada, visualizando a escassez de alimentos e o esgotamento de recursos não renováveis bem como a destruição do meio ambiente. Em1972, publicaram o relatório limits to grow (limites do crescimento), elaborado por Dennis Meadows (SEIFFERT, 2007, p. 12):

Foram feitas projeções do crescimento populacional, nível de poluição e esgotamento dos recursos naturais da Terra. O relatório previa que as tendências que imperavam até então conduziriam a uma escassez catastróficas dos recursos naturais e a níveis perigosos de contaminação num prazo de 100 anos.

Nascimento et al (2008, p. 57) afirma que esse documento “foi importante para chamar a atenção sobre os impactos da exploração dos recursos e sobre a degradação do meio ambiente”. Logo em seguida no mesmo ano aconteceu a I Conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente humano na Suécia, contando com cerca de 113 países, 250 organizações, Seiffert (2007, p. 12) cita que “eles defendiam um programa internacional voltado para a conservação dos recursos naturais e genéticos do planeta, pregando que medidas preventivas teriam que ser implementadas imediatamente”.

Em 1987 foi publicado o documento “Nosso Futuro Comum” intitulação dada ao relatório de Brundtland, Seiffert (2007, p. 14) afirma que esse “relatório apontava para as desigualdades existentes entre os países e para a pobreza como uma das principais causas dos problemas ambientais” de acordo com Nascimento et al (2008, p. 61) “sua mensagem alertou as nações para a necessidade de se unirem na busca de alternativa para os rumos vigentes, afim de evitar a degradação do planeta” o relatório contém ainda a afirmação e que o crescimento econômico só pode ser considerado desenvolvimento se houver a melhoria na qualidade de vida das pessoas. Embora publicado em 1987 o relatório só ganhou força a partir da conferencia realizada no Rio de Janeiro em 1992.

No ano de 1992 houve a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, com 178 países, nesta conferência foram aprovados a Declaração do Rio de Janeiro sobre o meio Ambiente e o Desenvolvimento ou Carta da Terra, a Convenção sobre Mudanças Climáticas, a Convenção da Biodiversidade, e a Agenda 21, Barbieri (2007, p. 37) defende a Agenda 21 como “uma das principais contribuições dessa fase, apresenta recomendações para os diferentes níveis de atuação” deu origem a um documento chamado a carta da Terra. Nascimento et al comenta que (2008, p. 72) “a Agenda 21 buscou reunir e articular propostas para iniciar a transição dos modelos de desenvolvimento convencionais para modelos de sociedades sustentáveis”.

Já em 1997, o Protocolo de Kyoto, reuniu 136 países com o objetivo de reduzir a emissão de gases de efeito estufa, a meta inicial era a redução de 5,2%, de 2008 a 2012 em relação ao total da década de 90. Nascimento et al (2008, p. 59) descreve que esse acordo “apresentou uma oportunidade lucrativa, pois permitiu que os países ricos investissem em mecanismos de desenvolvimento limpo” além de os países em desenvolvimento poderem “vender os chamados créditos de carbono, que valem euros ou dólares no mercado internacional”.

Em 2002 – Cúpula Rio+10, realizada em Johanesburgo, África do Sul, onde foi feita um a avaliação dos resultados da conferencia do Rio, 10 anos depois. Já em 2004 – fundada a NBR ISO 14001: 2004 que trata de uma certificação dada as empresas que cumprem uma série de normas referentes ao meio ambiente, com validade de três anos podendo ser renovado caso as exigências da norma continue sendo comprida. A ABNT discorre:

Esta norma especifica os requisitos relativos a um sistema de gestão ambiental, permitindo a uma organização desenvolver e implementar uma política e objetivos que levem e conta os requisitos legais e outros requisitos por ela subscritos e informações referentes aos aspectos ambientais significativos (ABNT, 2004).

O cumprimento das normas é uma oportunidade onde tanto o meio ambiente e sociedade quanto a empresa ganham pois, a marca se fortalece perante o mercado e os impactos ambientais são minimizados. A ABNT (2004) defende impacto ambiental como “qualquer modificação no meio ambiente, adversa ou benéfica, que resulte, no todo ou em parte, dos aspectos ambientais da organização”. Atualmente, em 2011, houve a reunião dos prefeitos das quarenta maiores cidades do mundo, denominada C40, realizada na cidade de São Paulo, Brasil. De acordo com o site da cidade de São Paulo “a iniciativa C40 tem dois objetivos principais: criar cooperação na redução da emissão de gases do efeito estufa e promover ações em grupo entre empresas, administrações públicas e a sociedade, visando combater as mudanças climáticas”, eles se incumbiram de apresentar as práticas de sustentabilidade, energia limpa, entre outras ações realizadas nas cidades de origem, infelizmente não podemos citar detalhes deste encontro, pois no momento da construção do presente trabalho a reunião acontecia.

A educação ambiental é uma das saídas mais efetivas para uma destinação correta dos resíduos gerados por nós, dessa forma poderemos retirar da natureza somente a quantidade e no tempo que ela consegue repor. Mas vale pensar: vamos lutar por um ambiente melhor para os nossos filhos, mas quando vamos nos preocupar em deixar filhos melhores para o nosso planeta?

REFERÊNCIAS

BARBIERI, José Carlos. Desenvolvimento e meio ambiente: as estratégias de mudanças da agenda 21. 8 ed. Petropolis: Vozes, 2007. P. 39

BRASIl. Constituição Federal de 1988. Artigo 225.

Clube de Roma e Evolução Histórica. Disponível em: http://amaliagodoy.blogspot.com/2007/09/desenvolvimento-sustentvel-evoluo.html. Acesso em 18/05/2011.

COSTA, Silvia de Jesus. Lixo mínimo: uma proposta ecológica para Hotelaria. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2004.

GUERRA, Antônio José Teixeira. Et al. Dicionário de meio ambiente. Rio de janeiro: Thex, 2009. P 191.

Introdução à Gestão Ambiental de Resíduos. Disponível em: http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/77/i04-aintroducao.pdf. Acesso em 19/05/2011.

ISO 14001. ABNT. Sistema da gestão ambiental. Requisitos com orientações para uso, versão 2004

JARDIM, N.S. et al. Lixo Municipal: manual de gerenciamento integrado. São Paulo: Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), e Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE), 2005.

Lei Nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9433.htm. Acesso em 19/05/2011.

Lei Nº 9.605, de 12 de Fevereiro de 1998. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9605.htm. Acesso em 19/05/2011.

Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: www.mma.gov.br/port/sqa/prorisc/capa. Acesso em 23/05/2011.

NASCIMENTO, Luis Felipe. Et al. Gestão socioambiental estratégica. Porto Algre: Bookman, 2008.

NBR 10004. Disponível em: http://www.aslaa.com.br/legislacoes/NBR%20n%2010004-2004.pdf. Acesso em 19/05/2011.

O que é reciclar? Disponível em: http://mundodareciclagem.no.sapo.pt/oqueereciclar.htm. Acesso em 19/05/2011.

PELICIONI, Andréa Focesi. Trajetória do movimento ambientalista. Curso de gestão ambiental. Coleção ambiental. São Paulo: Manole, 2004.p. 449PEREIRA, E. S.

Reciclagem. Disponível em < http://www.brasilescola.com/biologia/reciclagem.htm> acesso em 21/05/2011.

SEIFFERT, Mari Elizabete Bernadini. Gestão Ambiental: instrumentos, esferas e educação ambiental. São Paulo: Atlas, 2007.

TRIGUEIRO, André. Meio ambiente no século 21: 21 especialistas falam da questão ambiental nas suas áreas de conhecimento. 4 ed. Campinas: Armazém do Ipê, 2005.

Fonte: Administradores

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