Consenso de última hora em Durban para salvar negociações climáticas

As negociações na cimeira climática de Durban prosseguem em ritmo de contra-relógio, numa derradeira tentativa para aprovar um calendário de acção para os próximos anos, afastada que está a hipótese de ser aprovado um novo tratado global de combate ao aquecimento global.

“Eles estão a trabalhar. A trabalhar muito. Temos que lhes dar tempo”, disse à Reuters Christiana Figueres, responsável das Nações Unidas para as negociações sobre o Clima.

A cimeira deveria ter terminado ontem, mas os trabalhos foram prolongados por mais um dia, num último esforço para evitar um novo fracasso num processo negocial que se arrasta há anos para tentar comprometer todas as nações com metas específicas na redução das emissões de gases com efeito de estufa.

Contudo, nesta manhã reinava a confusão no encontro, ainda sem uma agenda definida, e várias delegações admitiam ter de deixar os trabalhos antes de se chegar a um consenso.

Francisco Ferreira, vice-presidente da Quercus, disse à Lusa sentir-se “incrédulo e confuso” pela estranha marcha dos trabalhos da cimeira de Durban. “Nunca uma cimeira se prolongou desta forma para além da data e hora em que deveria ter encerrado. O máximo que me recordo foram seis horas, mas em resultado de um plenário invulgarmente longo”, garantiu.

Para este ambientalista, tudo está ainda em aberto, embora se esteja a chegar a um ponto em que a própria cimeira deixe de ter quórum em virtude das partidas de delegações, nomeadamente as dos países mais pobres, que não têm meios para pagar as altas sobrecargas associadas à mudança de voos e estadias mais alargadas para além dos 13 dias que já leva o evento.

“As previsões para o resultado final continuam a oscilar entre algum optimismo, envolvendo um acordo global para 2015 e a sobrevivência do Protocolo de Quioto, e um cenário desastroso, de falhanço total. Em qualquer dos casos isto diz-nos que há de certeza muitos países-chave a bloquear uma solução para o clima e o problema, mesmo com acordo, poderá continuar sem solução”, afirma o vice-presidente da Quercus.

A ajudar à confusão, adianta a edição online do jornal “Guardian”, foi ontem à noite posto a circular um projecto de acordo que se veio a revelar falso. Supostamente promovido pela União Europeia, EUA, e os países do BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) propunha o recomeço das negociações na primeira metade de 2012, quando na realidade as delegações referidas insistem que o diálogo deve ser retomado de imediato.

A BBC adianta que o verdadeiro projecto de resolução, apresentado sexta-feira à noite, prevê a aprovação de um roteiro para que as negociações recomecem no Ano Novo com vista à adopção de um acordo global o mais tardar até 2015 – o calendário defendido quer pela UE quer pelos países menos desenvolvidos, que consideraram inaceitável a data de 2020 proposta num anterior projecto.

Em simultâneo, discute-se o prolongamento do Protocolo de Quioto – o único acordo em vigor que obriga à redução emissões de dióxido de carbono (CO2) e cuja vigência irá expirar em 2012. Este protocolo não se aplica, porém, aos maiores emissores de CO2: os Estados Unidos, que nunca ratificaram o acordo, e a China, que como país em desenvolvimento está isenta de metas de redução.

Fonte: Púlico

Esta entrada foi publicada em Notícias e marcada com a tag , , , , , . Adicione o link permanenteaos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>