Conferência do Clima estende Protocolo de Quioto até 2020

Apesar de garantir que o segundo período de compromissos do único tratado climático internacional começará em janeiro de 2013, evento foi marcado pela falta de ambição

Depois de se prolongar por 24 horas a mais do que o esperado, terminou neste sábado (8) a 18a Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 18), apresentando resultados pouco expressivos.

Ninguém tinha grandes expectativas para a COP 18, realizada na cidade de Doha, no Catar, e o evento acabou realmente sem nenhum destaque inesperado. A principal decisão concreta terminou sendo a já esperada extensão do Protocolo de Quioto para 2020, e mesmo isso veio depois de negociações muito arrastadas.

Muitas divergências se colocaram no caminho dos negociadores, sendo que a maior delas foi o que fazer para diminuir o excesso de créditos de carbono nos mecanismos de Quioto, a chamada crise do “Hot Air”.

Países do Leste Europeu, em especial Rússia e Polônia, queriam ter o direito de utilizar no segundo período de compromissos, que começa já em janeiro de 2013, os créditos acumulados no decorrer da primeira fase do Protocolo. Outras nações, incluindo o Brasil, afirmavam que se isso fosse permitido, as ferramentas de Quioto, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), perderiam sua eficácia, pois seriam inundadas por créditos e acabariam apresentando um preço insignificante para o carbono.

No fim, os países do Leste Europeu poderão utilizar o “Hot Air”, mas compradores deverão limitar sua aquisição desses créditos a 2% da sua alocação nacional no segundo período. Porém, diversas nações, como Japão, Liechtenstein, Noruega, Mônaco e Suíça, informaram que não comprarão nenhuma quantidade desse tipo de crédito. A delegação da Rússia ficou particularmente insatisfeita com o texto final.

“A decisão do presidente [da COP 18] Al-Attiyah de encerrar as discussões foi uma violação ultrajante das regras das negociações e analisaremos consequências legais”, declarou Oleg Shamanov, negociador russo.

Veja algumas das decisões sobre Quioto:

– O segundo período de compromissos terá oito anos de duração;
– Os países revisarão suas metas sob o Protocolo até 2014;
– Todos os mecanismos de mercado continuarão a funcionar;
– O acesso a esses mecanismos é livre para todos os países desenvolvidos que possuem metas no segundo período de compromissos;

Para a secretária-executiva da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Christiana Figueres, Doha foi um passo na direção certa.

“Eu parabenizo a presidência do Catar por conseguir administrar uma conferência tão complexa e desafiadora. Agora, temos muito trabalho para fazer. Doha é outro passo na direção correta, mas ainda temos uma longa estrada à frente. A ciência afirma e os dados provam que a porta para manter o aquecimento abaixo dos 2C continua apenas levemente aberta”, afirmou Figueres.

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