Com as mudanças climáticas EUA discute relação de furacão

Debates sobre se Sandy seria ou não uma consequência do aquecimento global ganham espaço na imprensa norte-americana, colocando finalmente o clima na pauta da eleição presidencial que se aproxima

A poucos dias de os Estados Unidos definirem seu próximo presidente, o país está sendo assolado pelo furacão Sandy, que segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) poderá ser a maior tempestade já registrada a atingir o território norte-americano. O fenômeno deixou 66 mortos em sua passagem pelo Haiti, República Dominicana, Cuba, Jamaica e Bahamas.

Durante o fim de semana, o presidente Barack Obama finalmente falou em público sobre mudanças climáticas. Em uma entrevista concedida à MTV, o democrata se disse surpreso que o assunto não tenha sido abordado na campanha nem nos debates.

“Este é um tema crucial e existe um grande contraste entre a minha posição e a do governador Romney. Eu acredito nos cientistas que dizem que estamos colocando muito carbono na atmosfera e que isto está aquecendo nosso planeta com impactos perigosíssimos”, declarou Obama.

O candidato republicano ainda não se manifestou, mas apesar de acreditar no fenômeno, duvida da contribuição das atividades humadas para o aquecimento global. Uma de suas promessas é inclusive aumentar a queima de carvão para a geração de energia.

Diante dessa diferença de opiniões, seria de grande importância fornecer para o eleitorado a informação se o Sandy é ou não fruto do aquecimento global. Infelizmente, não é possível responder esta questão.

Como explicou o pesquisador José Marengo, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do INPE, em uma palestra recente, é muito difícil dentro da ciência climática apontar as causas exatas para um fenômeno extremo, que geralmente é uma consequência da conjunção de fatores complexos.

Assim, o discurso, mesmo em estudos, dos climatologistas costuma ser recheado de expressões como “altamente provável” ou “improvável” quando se referem aos elementos que podem ter influenciado um evento.

É com esse tipo de explicação que estão aparecendo na imprensa os pesquisadores que estão acompanhando o Sandy.

“O que sabemos é que um oceano mais aquecido gera tempestades piores e neste momento a superfície do oceano ao redor da costa norte-americana está até 3oC acima da média”, explicou Kevin Trenberth, do Centro Nacional para Pesquisas Atmosféricas.

“Mas vale destacar que todos os eventos climáticos são afetados pelas mudanças climáticas, já que ficam mais severos por ocorrer em situações mais úmidas e quentes do que o normal. Mas não dá para afirmar que sem o aquecimento global o Sandy não aconteceria”, completou.

A imprensa também tem citado um recente relatório do programa de pesquisas sobre mudanças globais do governo dos EUA que afirmou que “a energia destrutiva dos furacões do Atlântico cresceu nas últimas décadas. A intensidade dessas tempestades provavelmente aumentará neste século”.

Climatologistas estão mencionando ainda o fato de que 2012 foi marcado por eventos extremos incomuns, como a seca prolongada que ainda afeta a agricultura norte-americana e que provocou altas globais nos preços dos alimentos. Além disso, dados da NASA e da NOAA apontam que o ano está se consolidando como um dos mais quentes da história.

Porém, está longe de ser uma unanimidade que o Sandy seja de alguma forma relacionado com as mudanças climáticas.

“Grandes eventos podem ter pequenas causas. Nesse caso, a causa imediata é mais provavelmente o alinhamento de uma tempestade tropical com uma extratropical, ambas bastante frequentes no Atlântico em outubro. Nada muito fora do comum. Não existem dados estatísticos que mostrem um aumento dos furacões nos últimos anos”, disse Martin Hoerling, meteorologista da NOAA.

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