Clima volta à mesa de negociações, três meses depois de Cancún

BANGCOC — Com o acordo de Cancún em mãos, os representantes de mais de 190 países se reúnem a partir de domingo em Bangcoc sob coordenação da ONU para avançar na luta contra as mudanças climáticas.

As negociações são retomadas em um contexto energético caótico.

A catástrofe de Fukushima, no nordeste do Japão, suscita no mundo fortes interrogações sobre o local que deve ser ocupado pela energia nuclear, que emite pouco CO2.

Por outro lado, o barril do petróleo continua aumentando em um contexto de incertezas em torno da situação na Líbia.

Consolidar o adquirido, progredir por etapas e, sobretudo, não esperar o grande acontecimento de um vasto acordo mundial obrigatório e ambicioso para interromper o aquecimento; ao que parece, essas são as instruções.

“O mundo estava na encruzilhada em Cancún e deu passos para um mundo mais seguro no plano climático”, declarou recentemente a responsável pelo clima da ONU, Christiana Figueres. “Agora, os governos devem progredir pelo caminho que foi traçado”, acrescentou.

Embora modesto, o acordo de Cancún (México) obtido em dezembro tornou possível dar um novo impulso ao processo de negociação da ONU, que havia perdido credibilidade depois do fracasso de Copenhague.

De 3 a 8 de abril, com os dois primeiros dias dedicados a seminários, as delegações reunidas nesta primeira etapa preparatória para a próxima reunião sobre o clima em Durban (África do Sul) no final de 2011, trabalharão para que “sejam operacionais” as decisões obtidas no México, segundo Figueres.

O Fundo Verde tem um lugar especial. Essa iniciativa deverá ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar o desafio das mudanças climáticas, e suas estrutura e diretrizes estão em processo de elaboração.

No futuro, 100 bilhões de dólares passarão por esse Fundo até 2020, mas o assunto das fontes de financiamento está longe de ter sido solucionado.

Também será preciso progredir no tema da transparência e da clareza das ações anunciadas pelos países para limitar ou reduzir suas emissões de gás do efeito estufa (GES).

Por enquanto, estão longe de atender à ambição, reiterada em Cancún, de limitar o aumento da temperatura global.

A ONU considera que “as promessas atuais representam apenas 40% do necessário” para cumprir essa meta, indicou à AFP Alden Meyer, da ONG americana, Union of Concerned Scientists.

“É essencial que em Durban sejam obtidos progressos para reduzir esse abismo”, disse.

Talvez haja progressos, mas não um grande avanço, previu um negociador europeu.

“É necessário que nos lembremos permanentemente da exigência de aumentar o nível de ambição, mas não é realista imaginar que todos revisarão seus planos”, disse à AFP.

Outro ponto sensível é o futuro do Protocolo de Kioto, único tratado obrigatório para os países industrializados, à exceção dos Estados Unidos, que não o ratificaram, e pelo qual tenta-se reduzir suas emissões de GES.

Os países em desenvolvimento, com os grandes emergentes à frente, insistem que haja um segundo período de compromisso após a expiração do primeiro, no final de 2012.

O Japão, em especial, se opõe a isso. E a crise que o país atravessa “não facilitará em nada a evolução de sua posição”, disse o negociador europeu.

Christiana Figueres considerava em meados de março que o acidente nuclear no Japão “mudará as agendas energéticas a médio prazo”, pois novos padrões de segurança tornarão as energias renováveis mais baratas.

“Pode haver esperança”, mas “sempre há o risco de que os países busquem outras soluções” como o gás de xisto, que não é tão bom para o clima, concluiu.

Fonte: Google

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