Carbono barato é o menor dos problemas verdes da UE revela entrevista

A credibilidade da União Europeia como líder ambiental global está em risco a menos que ela possa reparar suas políticas para atingir suas metas verdes de verdade e não apenas no papel, disse o diretor da Associação Europeia de Energia Eólica (EWEA).

A atenção dos formuladores de políticas ambientais nesta semana se focou na proposta de lei da UE para melhorar o recorde do bloco em economia de energia e nos esforços para persuadir a Comissão Europeia a impulsionar os preços do carbono, que perderam grande parte do seu valor no Esquema de Comércio de Emissões da União Europeia (ETS).

Christian Kjaer, diretor executivo da EWEA, afirmou que uma consequência negativa do carbono estar barato é que isso mina as metas verdes da UE, mas que o bloco deveria transferir sua atenção para além do ETS, buscando um futuro descarbonizado onde as permissões para produzir carbono fossem realmente inúteis.

“A UE declara que quer liderar o mundo na redução das emissões de carbono. Você não pode ir às negociações internacionais e dizer que estamos reduzindo 20% até 2020, na verdade estamos reduzindo, digamos, 11% ou 12% até 2020, não 20%”, afirmou ele.

Ele se referia à capacidade das nações da UE de atingir uma meta para cortar as emissões de carbono em 20% até 2020 através da compra de permissões para poluir, sem na verdade cortar as emissões.

“Mesmo se estivéssemos atingindo [a meta], os cientistas estão declarando que precisamos reduzir, nos países industrializados, entre 25% e 40% até 2020.”

Os dados da EWEA mostram que 60% da meta de 20% da UE – ou seja, 12% – pode ser cumprida através da compra de permissões, o que significa que a verdadeira meta de redução seria de 8%, não 20%.

O bloco tem duas outras metas para 2020: aumentar a participação das renováveis no mix de energia para 20% e melhorar a economia de energia em 20%.

Oficialmente, a UE diz que atingirá as metas de carbono e de renováveis.

ECONOMIA DE ENERGIA PODE ACRESCENTAR EXCEDENTE

Se aprovada, a nova lei para reforçar a economia de energia poderia reduzir a demanda por permissões de carbono, levando políticos a afirmar que uma melhora na eficiência tem que ser compensada com uma intervenção no mercado, que já está inundado por permissões excedentes.

“O ETS é bom, mas se você analisar se o ETS é ou não um direcionador para investimentos em renováveis, você vê que não pode financiar uma fazenda eólica alegando que o seu competidor é mais caro”, afirmou Kjaer, se referindo à necessidade dos produtores de energia poluente de comprar permissões de carbono.

Para complementar o ETS, Kjaer quer que a Comissão se apresse e decida pelas metas obrigatórias para além dos objetivos de 2020. Além disso, o bloco precisa construir a infraestrutura para apoiar a nova energia verde.

“Se vamos ter uma descarbonização completa, vamos ter que apostar em toda uma gama de tecnologias renováveis, incluindo a eólica offshore. Se o único condutor é o ETS, estamos criando um buraco.”

Até agora a comissão tem roteiros, que apenas fornecem uma indicação de como o bloco pode ir em direção a um setor de energia descarbonizado até a metade do século.

Outra das reclamações de Kjaer é que o custo da eólica deveria ser comparável de forma justa com o de outras fontes de energia, principalmente a nuclear, a maior rival na geração sem carbono.

Ele declara que os custos de descomissionamento para a nuclear tendem a ser negligenciados quando há a avaliação dos custos relativos.

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