Brasil discute políticas ambientais com governo norte-americano

Políticas brasileiras nas áreas de conservação e meio ambiente, petróleo, gás natural e biodiversidade foram discutidas nessa quinta, dia 31, pelo secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, Francisco Gaetani, com o secretário do Interior dos Estados Unidos, Kenneth Salazar, a comitiva americana e representantes do Ibama e do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade. A regulação de setores como mercado de carbono e eficiência energética é um dos principais pontos debatidos com os EUA.

– Estamos envolvidos em um empenho de capacitação profissional e qualificação técnica, e gostaríamos de fazer um intercâmbio com os americanos. A economia das florestas, por exemplo, poderia ser beneficiada com este diálogo entre os dois países, e o avanço tecnológico americano pode nos ajudar a combater o desmatamento – afirma Salazar.

O secretário-executivo também afirmou que é necessário aperfeiçoar a agenda de carbono, bem como o mecanismo REDD. Ele explicou que o Ministério da Fazenda e da Agricultura também estão envolvidos na questão, mas que ainda devem ser desenvolvidas as regras, o mercado e a organização institucional deste setor.

Salazar explicou que 20% das terras públicas americanas estão sob gestão do Departamento do Interior, e que outros 20% são geridos pelo Departamento de Agricultura, o que faz com que os recursos naturais e questões relacionadas ao meio ambiente nos Estados Unidos sejam tratados por pelo menos dois setores governamentais.

– Isso gera muitas vezes uma sobreposição de medidas, e temos que desenvolver melhor a política ambiental no nosso país, a exemplo do Brasil – afirmou.

Salazar explicou também que em relação a florestas e sustentabilidade a política ambiental dos EUA ainda não avançou muito. No que se refere ao mercado de carbono e ao marco regulatório desta atividade, ele disse que o presidente Obama e a equipe do Departamento ainda não tiveram muito êxito, porque que o povo americano ainda não entendeu a importância e os desafios das mudanças climáticas. Ele afirmou ainda que está sendo desenvolvido um programa para que os especialistas de ambos os países possam discutir a regulação do mercado de carbono.

– Os brasileiros entendem melhor a importância deste assunto e estão mais à frente do que nós. Precisamos aumentar a consciência do povo dos EUA sobre isso, senão não vamos conseguir uma legislação americana que estimule o sequestro de carbono –afirmou.

Salazar disse ainda que o presidente Obama e o Departamento do Interior estão tentando defender no Congresso americano a ideia de que os programas de conservação geram empregos diretos e indiretos, e que podem favorecer a economia.

Fonte: Canal Rural

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