Aquecimento tem um novo grau de risco e urgência

O establishment científico dos EUA emitiu um duro alerta para a população americana: não só o aquecimento global é algo real, como seus efeitos já estão se tornando sérios e passou a ser “urgente” a necessidade de uma política nacional forte que limite a emissão de gases de efeito estufa.

O relatório, apresentado na quinta-feira (12) pelo National Research Council, um braço da National Academy of Sciences, não endossou nenhuma abordagem legislativa específica, mas chegou a dizer que atribuir alguma espécie de preço às emissões de dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa, teoricamente seria um componente essencial de qualquer plano futuro.

“Os riscos associados a se continuar fazendo as coisas da maneira de sempre são uma preocupação muito maior do que os riscos associados a se empreender esforços de resposta ambiciosos, mas calculados”, conclui o relatório. “Isso porque muitos aspectos de uma política ‘excessivamente ambiciosa’ podem ser revertidos ou senão tratados, se necessário, por mudanças posteriores de política, ao passo que mudanças adversas no sistema climático são muito mais difíceis (na verdade, na escala temporal de nossas vidas, pode ser impossível) de se ‘desfazer’.”

O relatório, “America’s Climate Choices” [As escolhas climáticas dos EUA], foi encomendado pelo Congresso muitos anos atrás para oferecer um “conselho voltado para a ação” sobre como a nação deveria reagir às possíveis consequências de uma mudança climática.

Mas a resposta chega em uma época na qual esforços para adotar uma política de mudança climática foram suspensos em Washington, com muitos dos republicanos que controlam a Assembleia manifestando ceticismo em relação à ciência da mudança climática. Outros legisladores, incluindo alguns democratas, se preocupam com o fato de que qualquer nova lei resultaria em preços mais altos para a energia, prejudicando a economia.

O relatório descobriu que, não só a ciência por trás das previsões de mudança climática é sólida, como também são profundos os riscos de uma inação contínua para as gerações futuras. Notou-se que o nível do mar já está se elevando em muitas cidades americanas, e a temperatura média do ar nos Estados Unidos aumentou em 2 graus nos últimos 50 anos.

Os autores do relatório – uma combinação incomum de cientistas do clima, empresários e políticos – disseram que estavam cientes de que a disposição política sobre a mudança climática havia mudado de forma significativa desde a época em que o comitê foi formado, em 2009. Como o relatório também era sobre aconselhamento de políticas, o conselho nomeou mais do que cientistas, incluindo Jim Geringer, um republicano conservador e ex-governador do Estado de Wyoming.

Albert Carnesale, presidente do painel e chanceler emérito da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, disse que esperava que a diversidade do painel e o fato de que muitos dos envolvidos no trabalho não terem uma “inclinação prévia” ajudariam a vendê-lo até para políticos céticos.

“É um problema que deve ser resolvido com urgência, e o que fizemos de diferente foi enxergá-lo como um problema de gerenciamento de risco”, disse Carnesale.

Embora ninguém saiba a forma exata dos riscos, Carnesale explicou, sabemos que eles são reais o suficiente para serem abordados. E que com o tempo eles ficarão mais difíceis de serem abordados. “Não sabemos exatamente quando o tsunami quebrará ou quão alto ele vai ser, mas sabemos que ele está chegando, e devemos nos preparar”, disse.

Mas o representante Joe L. Barton (republicano do Texas), que tem liderado o movimento contra mais regulamentações sobre a emissão de carbono, desprezou as descobertas do conselho em uma entrevista na quinta-feira. “Não vejo nada de substancial nesse relatório que acrescente à base de conhecimento necessária para se tomar uma decisão esclarecida sobre quais passos devem ser tomados para abordar a mudança climática, se é que devem ser tomados”, disse Barton.

Embora o relatório caracterize a mudança climática como um problema em necessidade urgente de atenção, ele deixa as prescrições de política altamente específicas aos legisladores.

Para muitos dos que se preocupam com a mudança climática, esse é um defeito comum de relatórios do gênero. “Esse é um problema clássico – a divisão entre a realidade científica e a coragem política”, disse Paul W. Bledsoe, um conselheiro sênior junto ao Bipartisan Policy Center que trabalhou com essas questões no Congresso e na Casa Branca. “As organizações científicas relutam em pregar prescrições de política detalhadas, ao passo que atores políticos hesitam quanto às realidades científicas”.

Aquecimento global

O que é?

Pesquisadores do clima mundial afirmam que este aquecimento global está ocorrendo em função do aumento da emissão de gases poluentes, principalmente, derivados da queima de combustíveis fósseis (gasolina, diesel, etc), na atmosfera. Estes gases (ozônio, dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono) formam uma camada de poluentes, de difícil dispersão, causando o famoso efeito estufa. O desmatamento e a queimada de florestas e matas também colabora para este processo.

Consequências do aquecimento global

1 Aumento do nível dos oceanos: com o aumento da temperatura no mundo, está em curso o derretimento das calotas polares. Ao aumentar o nível da águas dos oceanos, podem ocorrer, futuramente, a submersão de muitas cidades litorâneas;

2Crescimento e surgimento de desertos: o aumento da temperatura provoca a morte de várias espécies animais e vegetais, desequilibrando vários ecossistemas. Somado ao desmatamento que vem ocorrendo, principalmente em florestas de países tropicais (Brasil, países africanos), a tendência é aumentar cada vez mais as regiões desérticas do planeta Terra;

– Aumento de furacões, tufões e ciclones: o aumento da temperatura faz com que ocorra maior evaporação das águas dos oceanos, potencializando estes tipos de catástrofes climáticas;

– Ondas de calor: regiões de temperaturas amenas tem sofrido com as ondas de calor. No verão europeu, por exemplo, tem se verificado uma intensa onda de calor, provocando até mesmo mortes de idosos e crianças

Tentativas de acordo internacionalizado

Protocolo de Kyoto

Este protocolo é um acordo internacional que visa a redução da emissão dos poluentes que aumentam o efeito estufa no planeta. Entrou em vigor em 16 fevereiro de 2005. O principal objetivo é que ocorra a diminuição da temperatura global nos próximos anos. Os Estados Unidos, país que mais emite poluentes no mundo, não aceitou o acordo, pois afirmou que ele prejudicaria o desenvolvimento industrial do país.

Conferência de Bali

Realizada entre os dias 3 e 14 de dezembro de 2007, na ilha de Bali (Indonésia), a Conferência da ONU sobre Mudança Climática terminou com um avanço positivo. Após 11 dias de debates e negociações. os Estados Unidos concordaram com a posição defendida pelos países mais pobres. Foi estabelecido um cronograma de negociações e acordos para troca de informações sobre as mudanças climáticas, entre os 190 países participantes. As bases definidas substituirão o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012.

Conferência de Copenhague – COP-15

A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima foi realizada entre os dias 7 e 18 de dezembro de 2009, na cidade de Copenhague (Dinamarca). A Conferência Climática reuniu os líderes de centenas de países do mundo, com o objetivo de tomarem medidas para evitar as mudanças climáticas e o aquecimento global. A conferência terminou com um sentimento geral de fracasso, pois poucas medidas práticas foram tomadas. Isto ocorreu, pois houve conflitos de interesses entre os países ricos, principalmente Estados Unidos e União Européia, e os que estão em processo de desenvolvimento (principalmente Brasil, Índia, China e África do Sul). De última hora, um documento, sem valor jurídico, foi elaborado visando à redução de gases do efeito estufa em até 80% até o ano de 2050.

Relatório define áreas para atuação urgente

O relatório do National Research Council delineou quatro áreas que requerem ações federais imediatas. Para começar, ele enfatizou que reduzir as atuais emissões de carbono é fundamental para evitar que os Estados Unidos tenham de fazer escolhas desastrosas no futuro. Embora não tenha chegado ao ponto de recomendar uma taxa sobre o carbono, o comitê elogiou sua eficácia.

“Análises sugerem que a melhor forma de amplificar e acelerar tais esforços, e de minimizar custos gerais (para qualquer meta nacional de redução de emissões), está em colocar um preço crescente e abrangente, que cubra uniformemente toda a nação” sobre emissões de carbono, de maneira que leve a “grandes investimentos em eficiência energética e tecnologias de baixo carbono”, escreveu o comitê.

Ele também pediu para que o governo federal exerça um papel muito mais ativo na pesquisa de novas tecnologias e na adaptação da nação às mudanças no mundo natural que já são inevitáveis. Mesmo com uma redução na produção de carbono, disse o relatório, alguma mudança climática continuará a ocorrer.

Ele observou que, enquanto muitas das cidades e Estados americanos estão tomando atitudes para atenuar a produção de carbono e se preparar para condições mais quentes e úmidas, o governo federal poderia ajudar a coordenar essas atividades, ao mesmo tempo em que incentivasse mais pesquisas e desenvolvimento.

“O governo federal”, disse o relatório, “deveria dar início imediato ao desenvolvimento de uma estratégia nacional de adaptação e construir instituições duradouras para implementar essa estratégia e melhorá-la com o tempo.” Por fim, embora esse relatório tenha sido idealizado, ao contrário do IPCC da ONU [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], por americanos para americanos, os autores observaram que a mudança climática é um problema mundial, e que a nação tem a obrigação de permanecer comprometida com a comunidade internacional para encontrar possíveis soluções.

Fonte: Tribuna do Norte

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